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uma vida dedicada aos cuidados com a visão dos pacientes

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Por João Alberto

O médico pernambucano Álvaro Dantas tornou-se uma das maiores referências da oftalmologia brasileira. Depois de comandar duas clínicas no Recife, criou o Ícone da Visão, importando os equipamentos mais modernos do mundo na área da oftalmologia refrativa, focada em corrigir miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, que visa, basicamente, eliminar o uso de óculos. Passou a atender clientes não só do estado, mas de outras regiões do país e do exterior. No ano passado, instalou o Icone da Visão em São Paulo, maior centro médico da América Latina, onde continua sua carreira de sucesso. É casado cim Karla Dantas e tem três filhos: Maria Clara, Maria Júlia e Antônio.



Álvaro Dantas é uma das maiores referências da oftalmologia brasileira – Arquivo Pessoal

Em que momento o senhor deixou o interior e veio para o Recife?

Nasci em Salgueiro, vivi minha infância em Belém do São Francisco e, aos oito anos, tomei uma decisão que marcou minha vida: pedi aos meus pais para estudar no Recife, uma cidade que eu já admirava e onde meus irmãos mais velhos viviam. Eram tempos difíceis. A viagem era longa, em grande parte por estradas de terra, e a comunicação era extremamente limitada, a telefonia era instável. Mas, olhando hoje, vejo que ali já se revelava um traço importante da minha personalidade: a disposição de buscar algo maior, mesmo diante das limitações. Foi um passo decisivo. Cresci enfrentando desafios, e Recife ampliou minha visão de mundo, abriu portas e se tornou o lugar onde consolidei minha formação e construí grande parte da minha trajetória profissional.

O que motivou a escolha pela Medicina e pela a Oftalmologia?

A Medicina sempre me atraiu pela possibilidade de transformar vidas de forma concreta. A Oftalmologia, por sua vez, me conquistou pelo impacto direto e profundo que pode gerar. Poucas áreas oferecem uma mudança tão imediata na qualidade de vida. Devolver visão é devolver independência, segurança e, muitas vezes, autoestima. É uma especialidade que reúne ciência, precisão, tecnologia e sensibilidade humana e essa combinação sempre fez muito sentido para mim.

Serviços que liderou ao longo da carreira?

Tive a oportunidade de liderar e participar de serviços relevantes na oftalmologia, tanto na assistência quanto na gestão e no ensino. Chefiei a Oftalmologia do Real Hospital Português, atuei em sociedades médicas, participei da formação de colegas e, mais recentemente, concentrei grande parte da minha energia no desenvolvimento do Ícone da Visão, sempre com foco em excelência técnica, inovação e segurança.

Como surgiu a ideia de criar o Ícone como um centro de oftalmologia de excelência?

O Ícone nasceu de um propósito claro: construir um hospital oftalmológico que reunisse o melhor da medicina, da tecnologia e da experiência do paciente. Mais do que um bom serviço, a ideia sempre foi criar algo verdadeiramente diferenciado, onde a excelência estivesse presente em cada detalhe: nos equipamentos, nos protocolos, na equipe, no cuidado com o paciente e na busca constante pelos melhores resultados possíveis.

A coragem de abrir uma unidade do Ícone em São Paulo?

São Paulo é uma das principais referências médicas do mundo e, sem dúvida, o maior polo do hemisfério sul. Abrir uma unidade na cidade não foi apenas um movimento de expansão, foi uma afirmação de identidade. Chegamos implantando tecnologias que, de forma surpreendente, ainda não estavam disponíveis na cidade, como o SMILE Pro e o Presbyond, duas das plataformas mais avançadas da oftalmologia moderna. Foi um passo que exigiu coragem, visão e convicção de que a verdadeira excelência encontra espaço em qualquer mercado. Não foi um processo simples. Mas, pouco mais de um ano após a abertura, o Ícone já demonstra sua força, com crescimento expressivo no volume cirúrgico e pacientes vindos de diferentes regiões do Brasil e do mundo em busca de liberdade visual.

O uso excessivo de celulares e telas pode prejudicar a visão?

O uso excessivo por si só, não costuma causar danos estruturais permanentes aos olhos. No entanto, pode provocar sintomas bastante incômodos, como cansaço visual, ardência, ressecamento, dor de cabeça e visão borrada temporária, o que chamamos de fadiga ocular digital. Em crianças, o cenário merece ainda mais atenção. O excesso de atividades de perto, associado à menor exposição à luz natural, está diretamente relacionado ao aumento da miopia. Ou seja, o problema não é apenas a tela em si, mas o excesso, o foco prolongado de perto e a falta de pausas e de tempo ao ar livre.

Observa um aumento no número de crianças que precisam usar óculos?

Isso é cada vez mais evidente na prática clínica. Estamos observando um aumento significativo, principalmente dos casos de miopia, um fenômeno global. Esse crescimento está fortemente associado a mudanças no estilo de vida: mais tempo em ambientes fechados, maior exposição a telas e atividades de perto, e menos tempo ao ar livre. Não se trata de alarmismo, mas de atenção. Hoje, o acompanhamento da saúde visual infantil é mais importante do que nunca.

O uso das canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, pode causar problemas de visão?

Essa é uma questão muito relevante. A própria bula do Mounjaro orienta que qualquer alteração visual durante o uso deve ser comunicada imediatamente ao médico. Em pacientes diabéticos, uma melhora muito rápida do controle glicêmico pode, em alguns casos, levar a uma piora transitória de alterações retinianas já existentes. Além disso, estudos recentes levantaram a possibilidade de associação entre medicamentos dessa classe e eventos envolvendo o nervo óptico ,embora o risco absoluto pareça baixo e a relação causal ainda não esteja completamente estabelecida. Portanto, não é motivo para alarme, mas é um alerta importante: o acompanhamento médico é fundamental, especialmente em pacientes com diabetes ou doença ocular prévia.

Quais são as principais técnicas para corrigir a visão e reduzir a dependência de óculos?

Hoje, existe solução para praticamente todos os casos, mas a melhor escolha é sempre individualizada. Antes dos 40 anos, uma das tecnologias mais avançadas é o Smile Pro. Trata-se de uma técnica minimamente invasiva, com alto nível de segurança e excelente qualidade visual, indicada para miopia, hipermetropia e astigmatismo. A partir dos 40 anos, surge a presbiopia, a chamada “vista cansada”. Nesse contexto, o Presbyond se destaca como uma das mais avançadas evoluções da cirurgia refrativa. Trata-se de uma correção a laser altamente personalizada, que amplia a profundidade de foco e proporciona uma visão mais natural e equilibrada para longe e perto, com elevada qualidade visual e preservação da visão binocular.

Já fez cirurgia nos seus olhos?

Já e usei o Presbyond, para a correção da minha própria visão, realizada pelas mãos do seu criador, o Prof. Dan Reinstein, durante sua passagem por São Paulo, em nossa unidade. A chegada dessa tecnologia mudou de forma significativa nossa conduta clínica. Reduziu de maneira importante a indicação de cirurgias precoces de catarata com finalidade refrativa. Hoje, o princípio é claro: a cirurgia de catarata deve ser indicada quando há comprometimento real da qualidade visual, e não como primeira linha para correção de grau em pacientes ainda sem a doença estabelecida.

O que é a lente fácica?

Para pacientes que não são bons candidatos ao laser, seja por grau elevado, córnea fina ou outras características, o implante de lente fácica é uma excelente alternativa, preservando as estruturas naturais do olho e oferecendo ótima qualidade visual. Já nos casos em que haja o diagnóstico de catarata, a cirurgia com implante de lentes intraoculares modernas permite não apenas tratar a doença, mas também reduzir significativamente, ou até eliminar, a dependência de óculos. O ponto central é simples: hoje, quase sempre existe uma solução. Mas a melhor técnica depende do olho, da idade, do grau e, principalmente, do estilo de vida de cada paciente.

Qual é a diferença entre PRK, LASIK, FemtoLASIK e SMILE? Para quais perfis cada uma é indicada?

O PRK é a técnica mais antiga, realizada na superfície da córnea. Tem recuperação mais lenta e maior desconforto inicial, sendo reservado para situações específicas. O LASIK tradicional, que utiliza lâmina para criação do flap, praticamente caiu em desuso devido aos riscos inerentes ao método. O FemtoLASIK representa uma evolução importante, substituindo a lâmina por um laser de femtosegundos. Isso aumenta significativamente a precisão e a segurança, além de permitir tratamentos personalizados, como o Presbyond. O SMILE Pro é uma das tecnologias mais modernas. Corrige o grau por meio da remoção de uma lentícula no interior da córnea, através de uma microincisão, sem necessidade de flap. Isso preserva melhor a biomecânica corneana, reduz a agressão à superfície ocular e proporciona maior conforto no pós-operatório.

Essas cirurgias eliminam completamente a necessidade de óculos? E quanto tempo duram?

Como a precisão é enorme, conseguimos eliminar os óculos totalmente em cerca de 90% dos operados. 10% pode usar algum óculos para um maior conforto durante algumas atividades. Mas é importante deixar claro: na medicina, não trabalhamos com promessas absolutas. Os resultados dependem de fatores como grau inicial, idade, características da córnea e o próprio envelhecimento natural do olho. Costumo dizer que o laser não é algo que se faz anualmente ao longo da vida. É um tratamento com efeito duradouro. No entanto, ao longo dos anos, ajustes podem ser indicados, sempre com o objetivo de manter a melhor qualidade visual possível. O que pode ocorrer com o tempo não é a “perda” da cirurgia, mas a evolução natural do organismo , — como o surgimento da presbiopia ou da catarata. A cirurgia corrige o presente, mas não interrompe o tempo.

Quem pode se submeter a esse tipo de procedimento e quais são as contraindicações?

De forma geral, pacientes acima de 18 anos, com boa saúde ocular e expectativas realistas, podem ser candidatos. As contraindicações variam conforme a técnica, mas, no caso do laser, envolvem principalmente córneas finas para o grau a ser corrigido e doenças oculares como o ceratocone, olho seco não tratado e situações específicas e transitórias como gravidez. Por isso, a avaliação pré-operatória é decisiva. Não é apenas uma liberação, é o momento em que definimos a estratégia mais segura e eficaz para cada paciente.

Existe uma idade ideal para realizar a cirurgia?

Idade, isoladamente, não é o fator determinante. De forma geral, indicamos a cirurgia a partir dos 18 anos, quando o grau tende a apresentar maior estabilidade. Mas é fundamental entender que não existe estabilidade absoluta em nenhuma fase da vida, o que buscamos, na prática, é um período em que as variações sejam mínimas e previsíveis. A visão acompanha o tempo. E, quando necessário, podemos intervir novamente em diferentes fases da vida, sempre com o objetivo de preservar a melhor qualidade visual possível. A Medicina não segue uma idade. Ela segue o momento certo de cada paciente.

Casos de miopia ou astigmatismo elevados podem ser totalmente corrigidos?

Sim. Hoje, existe solução para praticamente todos os casos. Mesmo em graus elevados, conseguimos alcançar excelentes resultados com segurança, seja com laser ou com implante de lente fácica, dependendo das características do olho. O grande diferencial está na combinação entre diagnóstico preciso, tecnologia avançada e experiência cirúrgica. Quando esses três pilares se alinham, conseguimos resultados que, há alguns anos, seriam considerados impossíveis.

Como é feita a avaliação pré-operatória?

É uma análise extremamente detalhada. Avaliamos o grau, a superfície ocular, o filme lacrimal, a espessura e o formato da córnea, o fundo de olho e, principalmente, o perfil visual do paciente. Não é uma consulta para dizer “pode ou não pode operar”. É uma consulta para definir qual caminho oferece as melhores chances de resultado com segurança.

 



No ano passado, Álvaro instalou o Ícone da Visão em São Paulo, maior centro médico da América Latina – Arquivo Pessoal

É possível realizar uma segunda cirurgia, caso seja necessário algum ajuste?

Sim. Durante a vida, podemos corrigir as mudanças de grau que podem surgir, desde que exista indicação, segurança e tecido suficiente, podemos realizar um refinamento. Não é a regra, mas também não é algo incomum. O mais importante é que qualquer ajuste seja feito com critério, responsabilidade e análise técnica rigorosa.

Quanto tempo dura, em média, a cirurgia?

A aplicação do laser dura segundos. O procedimento como um todo leva poucos minutos por olho. É uma cirurgia rápida, mas que exige planejamento, precisão e tecnologia de alto nível.

É possível operar os dois olhos no mesmo dia?

Sim e essa é, inclusive, a prática mais comum. Quando bem indicado, operar os dois olhos no mesmo dia traz mais conforto, praticidade e uma recuperação mais rápida para o paciente.

Em quanto tempo o paciente pode retomar suas atividades?

Varia conforme a técnica e o perfil do paciente. Em procedimentos como FemtoLASIK e SMILE Pro, muitos pacientes já retomam parte das atividades no dia seguinte. No PRK, a recuperação é mais lenta. Mas a regra é sempre a mesma: respeitar o tempo biológico do olho e seguir as orientações médicas.

Qual foi o caso mais marcante ou surpreendente que já acompanhou?

A oftalmologia nos dá histórias profundamente humanas. Mas os casos mais marcantes são aqueles em que o paciente não recupera apenas a visão, ele recupera a própria vida. Recentemente, o caso da Cíntia é impactante e que inclusive ganhou grande repercussão nas minhas redes. Ela tinha 29 graus de miopia, já apresentava catarata e carregava uma história de insegurança, bullying e medo constante de perder a visão. Após a cirurgia, não foi apenas a visão que mudou. Foi a forma como ela voltou a se posicionar no mundo. Hoje, ela não apenas enxerga melhor, ela vive melhor. E é isso que torna essa profissão tão especial.

Como descreve a emoção dos pacientes ao voltarem a enxergar sem óculos?

É uma emoção difícil de traduzir em palavras. Para muitos, não se trata apenas de tirar os óculos. Trata-se de recuperar liberdade. Acordar enxergando. Praticar esportes sem limitação. Trabalhar com mais conforto. Se reconhecer no espelho de outra forma. É uma mudança que, para quem vê de fora, pode parecer simples, mas, para o paciente, pode ser transformadora.

Só usa óculos quem quer?

Hoje, para a grande maioria dos casos, sim. O que ainda limita muitas pessoas não é a falta de solução, é a falta de informação. Muitos ainda acreditam que o risco é alto, que não existe alternativa ou que “não é para o seu caso”. E, muitas vezes, acabam se baseando em opiniões de quem não vive a cirurgia refrativa no dia a dia ou não tem acesso às tecnologias mais modernas. A verdade é que a medicina evoluiu e muito. Mas ela exige responsabilidade. Nem todo mundo deve operar. Nem toda técnica serve para todo mundo. O papel do especialista é justamente esse: indicar com honestidade aquilo que oferece as melhores chances de resultado. No fim, a decisão é uma combinação de três fatores: querer, poder e ter a indicação correta. Porque hoje, na maioria dos casos, a dependência dos óculos deixou de ser uma limitação e passou a ser uma escolha.

RAIO X

Time: Não tenho um time de coração.

Livro: Os que provoquem reflexão, visão de futuro e profundidade humana.

Cantor: Elton John veio para deixar uma marca. Suas canções marcaram gerações.

Música: “My Way”, com Frank Sinatra.

Restaurante; São vários: “Tasca”, “Quina do Futuro”, “Le Chef”, “Chiwake”.

Prato preferido: Raclett, Sushis, um bom bacalhau.

Hobbys: Música, tecnologia, charutos, vinhos.

Mania: Buscar excelência nos detalhes.

Lugar bonito: Lençóis maranhenses. Nada igual existe.

Sonho: Continuar construindo um legado na oftalmologia.

Fonte: Clique aqui

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