Na manhã desta sexta-feira (21), estudantes da Escola de Educação Básica Nossa Senhora da Conceição, em São José, na Grande Florianópolis, denunciaram a abordagem da polícia durante uma manifestação contra o modelo cívico-militar adotado na instituição.
Segundo um vídeo publicado nas redes sociais, os estudantes teriam sido levados para um dos blocos da unidade escolar, onde os portões teriam sido fechados, impedindo a saída dos alunos.
Segundo o professor Michel Flor, integrante da unidade e conselheiro do Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), a mobilização começou em razão da forma como o modelo foi implementado. De acordo com ele, não houve consulta aos estudantes, professores ou ao conselho escolar.
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“Não teve deliberação do Conselho, não teve consulta aos estudantes, não teve consulta aos professores da Unidade Escolar, simplesmente implementaram”, afirmou.
Estudantes denunciaram que foram reprimidos após se manifestarem contra a má gestão da instituição e o modelo cívico-militarVídeo: Sinte Regional de São José/@sinte_sj/Instagram
Estudante teve celular retirado durante abordagem em São José
A tensão teria aumentado na quinta-feira (20), após um episódio envolvendo um policial que atuava na escola. Conforme o relato de Michel, uma professora teria presenciado uma abordagem considerada autoritária por parte do policial a estudantes do terceiro ano.
Durante a situação, um dos alunos teria utilizado o celular para gravar a abordagem. Segundo o professor, o policial retirou o aparelho das mãos do estudante, o que teria provocado uma reação dos alunos.
Após o episódio, estudantes teriam se organizado pelas redes sociais e elaborado um abaixo-assinado contra o modelo cívico-militar.
Na manhã desta sexta-feira, os alunos levaram o documento para a escola e, segundo o relato, realizavam a manifestação de forma pacífica. Michel afirma que o abaixo-assinado foi retirado das mãos dos estudantes por um professor e pelo comandante da Polícia Militar presente na unidade.
Ainda conforme o professor, os estudantes foram reunidos em uma sala e, posteriormente, levados para outro bloco da escola. Ele afirma que os portões teriam sido fechados, impedindo temporariamente a saída dos alunos.
Para Michel, a falta de transparência e de participação da comunidade escolar na implementação do modelo contribuiu para o aumento da tensão dentro da instituição.
O que diz a Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado da Educação (SED), por meio da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Florianópolis, informou que tomou conhecimento do ocorrido na EEB Nossa Senhora da Conceição e acompanha a situação.
Segundo a equipe gestora da escola, houve um tumulto envolvendo estudantes durante o intervalo entre as aulas. Diante da situação, ao término do recreio, a unidade precisou reorganizar o ambiente e orientar os alunos a retornarem às atividades pedagógicas.
A SED afirmou ainda que o diálogo, o respeito e a organização do ambiente escolar são fundamentais para garantir o desenvolvimento das atividades pedagógicas e a convivência entre os integrantes da comunidade escolar.

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