O acaso parece coisa de moeda jogada para o alto, mas, por trás do seu celular, do seu banco e até de pesquisas científicas, existem números aleatórios trabalhando o tempo todo. O problema é que muita “aleatoriedade” digital é só pseudoaleatória. Boa o suficiente para quase tudo, mas difícil de auditar e, em certos casos, vulnerável a falhas de implementação.
Um serviço público baseado em física quântica
Em 2025, o NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA) anunciou, junto a parceiros da Universidade do Colorado Boulder, a criação do Colorado University Randomness Beacon (CURBy).
É uma espécie de fábrica que gera e publica números aleatórios verificáveis usando entrelaçamento quântico. A ideia é transformar um experimento chamado teste de Bell em uma fonte contínua de aleatoriedade que pode ser rastreada e auditada.
No coração do sistema, pares de fótons entrelaçados produzem resultados que, segundo a mecânica quântica, são inerentemente imprevisíveis; e essas saídas são refinadas e publicadas como um serviço aberto.
O NIST relata que o processo usa um protocolo chamado Twine, projetado para tornar os dados traçáveis, verificáveis e resistentes à manipulação, e que o trabalho foi publicado na Nature.
Fonte: Pexels
Bancos e pagamentos são o primeiro lugar em que a aleatoriedade aparece sem fazer barulho. No Brasil, sistemas bancários e o próprio ecossistema do Pix dependem de camadas de segurança, como criptografia, autenticação e controle antifraude.
E criptografia, por definição, precisa de entropia de qualidade para criar chaves e códigos difíceis de prever. Depois vêm os jogos. Não é só sorte. A aleatoriedade entra em geração procedural, como mapas e itens, em loot de inimigos, em variação de partidas e até em efeitos visuais que dão uma sensação de movimento orgânico.
O resultado é uma experiência menos repetitiva e, muitas vezes, mais difícil de decorar. Isso inclui os jogos de cassino, em que a aleatoriedade é o mecanismo principal. Um exemplo clássico pode ser observado em um slot de cassino, que gira em torno de um RNG (gerador de números aleatórios) para decidir o resultado a cada rodada.
E é ele que também dita quando entram em cena os pontos altos do jogo, como símbolos especiais e recursos de bônus. Em títulos como Big Bass Bonanza e Fortune Ox, por exemplo, o fator que muda o ritmo da partida só aparece quando o RNG permite, justamente para impedir que a experiência vire um padrão fácil de prever.
Mas o entretenimento não é o único setor onde isso é essencial. Fora do cassino, a aleatoriedade vira ferramenta de trabalho ao ser aplicada na elaboração de simulações científicas. Modelos de clima, dinâmicas de partículas, previsões de risco e métodos de Monte Carlo usam aleatoriedade para explorar cenários e estimar incertezas.
Também há usos cívicos e administrativos como seleção para auditorias, sorteios públicos e alocação de recursos que podem se beneficiar de fontes de aleatoriedade independentes e verificáveis, justamente para reduzir suspeitas de interferência.
Quando o acaso vira infraestrutura
A fábrica do NIST é interessante porque trata aleatoriedade como infraestrutura auditável, não como detalhe técnico. Para o público, isso parece abstrato; para sistemas digitais (financeiros, científicos e de entretenimento), é o tipo de base invisível que sustenta confiança. E que, quando falha, vira notícia do pior jeito.
Esse conteúdo O acaso virou serviço: NIST cria fábrica de números aleatórios quânticos foi criado pelo site Fatos Desconhecidos.

COMMENTS