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qual é a força do partido de Tarcísio de Freitas?

Principal ativo do Republicanos em SP é o governo estadual, com Tarcísio no comandoFoto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP/Divulgação

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, abre espaço para uma reorganização da direita brasileira. Nesse cenário, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece entre os nomes mais cotados para assumir maior protagonismo na oposição e nas articulações políticas nacionais.

A movimentação também coloca em evidência o partido ao qual ele pertence e sua capacidade de transformar a influência do governo paulista em força política para além do estado.

Qual é o poder do Republicanos em SP

O principal ativo do Republicanos em São Paulo é o governo estadual. Com a reeleição de Tarcísio, a legenda seguirá à frente do Executivo paulista a partir de 2027, mantendo o comando de um estado que concentra o maior colégio eleitoral do Brasil e tem peso decisivo na economia nacional. A posição oferece ao partido visibilidade, capacidade de articulação com prefeitos e lideranças regionais e influência sobre decisões que repercutem em todo o país.

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A força do partido, porém, precisa ser analisada para além da popularidade de Tarcísio. Na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o Republicanos elegeu seis deputados estaduais para a legislatura que começa em 2027. A bancada é menor do que a do PL, que terá 27 parlamentares, e a do PT, que integra uma federação com 16 cadeiras. Isso mostra que o peso político da legenda no estado está concentrado principalmente no governo e na capacidade de construir alianças com outras siglas.

Republicanos elegeu seis deputados para AlespFoto: Larissa Navarro/Alesp/Divulgação/ND Mais

A base aliada de Tarcísio, por outro lado, terá ao menos 62 dos 94 deputados estaduais. O grupo reúne partidos como PL, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Novo e a federação União Brasil-PP, além do Republicanos. A maioria amplia a capacidade do governador de aprovar projetos e negociar pautas no Legislativo.

Na Câmara dos Deputados, o Republicanos também terá representantes eleitos por São Paulo. Entre eles estão o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, além de Guilherme Piai, Celso Russomanno, Ney Santos, Altair Moraes e Maria Rosas.

A bancada federal paulista do partido terá seis integrantes, conforme a lista de eleitos divulgada pela Justiça Eleitoral. A presença no Congresso permite que a legenda participe de negociações sobre orçamento, projetos de interesse dos estados e a composição dos espaços de poder em Brasília.

Como São Paulo pode alavancar o Republicanos no país

A influência de São Paulo não se limita à quantidade de eleitores. O estado concentra uma parcela expressiva da atividade econômica brasileira, abriga grandes centros industriais e financeiros e tem protagonismo em setores como serviços, tecnologia, comércio e infraestrutura.

Por isso, a atuação do governo paulista em áreas como segurança pública, transportes, concessões e equilíbrio fiscal tende a repercutir no debate nacional e pode ajudar a projetar Tarcísio como uma liderança com experiência administrativa.

Essa projeção também interessa ao Republicanos. Nas eleições de 2026, o partido elegeu quatro governadores: Tarcísio de Freitas, em São Paulo; Cleitinho Azevedo, em Minas Gerais; Otaviano Pivetta, em Mato Grosso; e Lorenzo Pazolini, no Espírito Santo.

Com os resultados, a sigla passará a governar três dos quatro estados do Sudeste, região que concentra grande parte da população e da atividade econômica do país. A combinação de governos estaduais e presença parlamentar amplia o potencial de articulação da legenda.

Relação com o bolsonarismo e os limites da liderança de Tarcísio

A aproximação com o bolsonarismo é outro componente dessa equação. Durante a disputa presidencial, o Republicanos oficializou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, decisão anunciada pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. Tarcísio participou da articulação e defendeu publicamente a aliança, demonstrando que o partido buscou se posicionar junto ao campo político que reúne parte expressiva da direita brasileira.

Flávio e Tarcísio em agenda de campanha em GoiásFoto: Vittor Sales/Campanha PL/ND Mais

Com Flávio fora do país, Tarcísio pode ganhar espaço como interlocutor entre diferentes setores da direita, incluindo o bolsonarismo, partidos do Centrão e grupos que priorizam uma agenda econômica liberal. A possibilidade de construir pontes entre esses segmentos pode aumentar sua influência e dar ao Republicanos um papel mais relevante nas negociações nacionais.

Há também um limite partidário importante. O Republicanos não é uma legenda inteiramente identificada com o bolsonarismo e reúne integrantes com diferentes posições políticas e relações com o governo federal.

Na decisão de apoiar Flávio, a direção não fechou questão, permitindo que integrantes da sigla mantivessem posições divergentes. Essa característica dá flexibilidade para negociar com diferentes grupos, mas também pode dificultar a construção de uma identidade política nacional única em torno de Tarcísio.


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