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Aliança com o mercado

Em direção ao quarto mandato, governo reeleito precisa parar de demonizar o mercado, formando parcerias de investimento e crescimento do país

Por

JC


Publicado em 27/10/2026 às 0:00

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Com o pior desempenho em um dia desde 2020, no início da pandemia de Covid, o índice Ibovespa respondeu com uma queda de quase 14% à reeleição de Lula como presidente da República. As pesquisas apontavam vitória do concorrente, Flávio Bolsonaro, ainda que dentro da margem de erro, em empate técnico nos levantamentos dos principais institutos nas semanas que antecederam o pleito. E o dólar teve alta acima de 8%, maior disparada desde em mais de 25 anos, desde 1999. As expectativas fiscais atreladas ao histórico dos governos petistas fizeram com que os juros futuros também aumentassem. Investimentos que apostavam na volta da família Bolsonaro ao poder foram desfeitos, e as operações foram suspensas, pelo mecanismo conhecido como circuit breaker, por causa do tamanho da queda.
Pode-se dizer que a reação do mercado não chegou a ser surpresa. Mas sua materialização é mais um sinal para o presidente da República redirecionar discursos e práticas relativos à economia e ao mercado financeiro. Fazer e dizer mais do mesmo não é uma opção, se o presidente e sua equipe desejarem viabilidade para a economia brasileira no quarto mandato de Lula. Até porque a crise já é certa, no próximo ano, pelos prognósticos oficiais do governo federal, e de diversas análises de instituições financeiras e especialistas do mercado.
Apesar do otimismo típico da vitória, o reeleito não tem saída: para cumprir qualquer fração da promessa de fazer um governo melhor que os anteriores, Lula terá que conter a animosidade com os agentes financeiros e a iniciativa privada, e buscar a construção de pontes e alianças para investimentos no país, ampliando os potenciais e aperfeiçoando o ambiente de negócios para turbinar o crescimento que, segundo ele, deve ser prioritário. Com a dívida pública estratosférica e um horizonte de piora, se mantido o atual curso da política econômica, o governo não terá capacidade – como já não tem – de patrocinar um ciclo de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB).
Em entrevista na segunda-feira, na tentativa de atenuar o nervosismo do mercado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende adequar a legislação para cumprir o centro da meta fiscal. A declaração é bem-vinda, ainda que venha no final do terceiro mandato, mas certamente não parece suficiente para acalmar a Bolsa de Valores. Ao mirar o quarto mandato e as intenções mencionadas por Lula de elevar os gastos, Durigan disse que a Fazenda continuará a “resguardar as contas do país”, sem deixar de “abrir espaço fiscal para o que presidente quer fazer para o povo”.
O cargo de Durigan é visto como politicamente estratégico, e pode ser assumido em janeiro pelo vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, com bom trânsito no mercado. A escolha de Alckmin pode resetar as relações do governo com o mercado, desde que não tarde a se transformar em ações a simbólica escolha para o ministério. Assim como as demais escolhas para a Esplanada são aguardadas com atenção pelos brasileiros, e pelo mercado global, como sintomáticas da real disposição de Lula para encarar a realidade das contas públicas e da economia, em uma nação de endividados.

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