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Flávio é candidato de rede social e não demonstrou preparo para a Presidência, diz cientista político

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se comportou como um candidato voltado às redes sociais, com frases de efeito, mas sem explicar como pretende executar suas propostas, e não demonstrou preparo para assumir a Presidência da República.

Essa é a avaliação do cientista político e professor Adriano Oliveira sobre o debate entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado neste domingo (18), na Band.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta segunda-feira (19), o analista afirmou que o confronto não teve um vencedor e foi marcado por ataques pessoais, provocações e pouca discussão sobre propostas para o país.

“Flávio é aquele candidato de rede social”, afirmou Adriano. Para explicar a avaliação, o cientista político comparou a estratégia do senador à circulação de frases de efeito na internet, que dispensam a apresentação de explicações mais aprofundadas.

Segundo ele, o candidato do PL consegue se comunicar com esse público ao fazer promessas diretas, especialmente na área de segurança pública, mas não detalha como pretende colocá-las em prática.

“Ele diz: ‘eu vou acabar com a saída de preso, eu não vou permitir que ninguém roube seu celular’, mas não explica como”, exemplificou. Para Adriano, esse tipo de discurso tem apelo eleitoral, embora não corresponda à complexidade dos problemas que precisam ser enfrentados por um presidente da República.

O professor também criticou a postura de Flávio durante o debate e afirmou que o senador pareceu não compreender a dimensão do cargo que disputa. Na avaliação dele, a estratégia de permanecer atrás de Lula durante parte do confronto foi equivocada, porque reforçou uma imagem de inexperiência.

“Pareceu um jovem que estava ali sem saber o tamanho do desafio que é governar o Brasil e brincando o tempo todo”, disse.

Adriano acrescentou que o candidato do PL não respondeu às perguntas feitas pelo adversário e insistiu em elogiar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que considerou um erro estratégico diante de eleitores que rejeitam o antigo chefe do Executivo.

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Lula também teve falhas no debate

Apesar das críticas a Flávio, Adriano avaliou que Lula também teve um desempenho aquém do esperado. Para o cientista político, o presidente apresentou uma imagem associada ao passado, demonstrou dificuldade para conduzir as respostas e não conseguiu se impor sobre o adversário. “Ele estava com fisionomia de passado, fisionomia de antigo, não estava dominando as palavras”, afirmou.

Na análise, Lula entrou nas provocações de Flávio e perdeu oportunidades de conduzir a discussão para temas em que poderia explorar a experiência de governo e cobrar explicações sobre as propostas do senador.

Um dos principais erros do presidente, segundo Adriano, foi não ter explorado suficientemente o fim da escala de trabalho 6×1. Para ele, a pauta representa uma oportunidade de Lula se aproximar dos trabalhadores e defender medidas de proteção social.

O cientista político também considerou que o petista deveria ter questionado o significado da mudança prometida por Flávio, que defende uma renovação política sem detalhar como ela ocorreria.

Por outro lado, Adriano apontou como um aspecto positivo da participação de Lula o desafio feito ao adversário para que ambos abrissem seus sigilos. A iniciativa, segundo ele, ajudou a amenizar o desempenho do presidente, embora não tenha sido suficiente para garantir uma vitória no confronto.

Estratégia será desqualificar o adversário

Ao analisar os próximos dias da campanha, Adriano afirmou que os dois candidatos terão oportunidades de explorar trechos do debate nas redes sociais para fragilizar a imagem do adversário.

Flávio poderá usar os momentos em que Lula demonstrou dificuldade para responder às provocações para reforçar a ideia de que o presidente representa o passado. Lula, por sua vez, poderá explorar o comportamento do senador para questionar sua experiência e capacidade de governar.

“Ambos os candidatos têm essas oportunidades. E aquilo que eu frisei, tenho insistido nisso: a oportunidade é desqualificar o outro”, afirmou o professor.

Na avaliação de Adriano, a disputa também será marcada pela concorrência entre duas agendas com apelo eleitoral: de um lado, a segurança pública, explorada por Flávio com promessas e mensagens curtas; de outro, os direitos sociais e as conquistas dos trabalhadores, que Lula pretende defender.

O resultado dependerá, em parte, de qual dessas pautas terá maior peso entre os eleitores que ainda não decidiram o voto.

O cientista político estimou que entre 8% e 10% do eleitorado permanece em dúvida, incluindo pessoas inclinadas a votar em branco ou nulo. Para ele, esse segmento pode ser decisivo no segundo turno, em uma eleição na qual os dois candidatos enfrentam resistência de parte do eleitorado.

Adriano também classificou como uma demonstração da “infantilização da política brasileira” o predomínio de provocações e frases de efeito no debate.

Segundo ele, temas como o Sistema Único de Saúde (SUS), a capacidade fiscal do Estado, o papel dos governadores na segurança pública, a independência do Banco Central, a redução dos juros e o enfrentamento ao crime organizado ficaram sem discussão aprofundada.

Para o professor, a ausência de propostas e de uma visão clara sobre o futuro do país evidencia os limites da disputa. Embora a estratégia de provocar medo no eleitor em relação ao adversário possa produzir resultados eleitorais, ele avalia que os candidatos ainda precisam demonstrar qual projeto pretendem implementar caso sejam eleitos.

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