Lula (PT) ultrapassou Flávio Bolsonaro (PL) em despesas de campanha declaradas à Justiça Eleitoral. No levantamento do InfoMoney com dados disponíveis até 23 de setembro, o presidente registrava R$ 65,7 milhões, contra R$ 56,2 milhões do senador. Ronaldo Caiado (PSD) aparecia em terceiro, com R$ 24,5 milhões. Juntas, as candidaturas relacionadas na apuração somavam mais de R$ 156 milhões.
A diferença entre os dois primeiros colocados, porém, ganha outra dimensão na publicidade digital. Em um recorte dos perfis oficiais no Facebook e no Instagram, Lula gastou cerca de 6,3 vezes o valor de Flávio. Os levantamentos medem coisas diferentes: um reúne despesas de campanha declaradas ao TSE; o outro acompanha anúncios veiculados nas plataformas da Meta.
Quanto cada presidenciável declarou em gastos de campanha
Depois de Lula, Flávio e Caiado, o levantamento de 23 de setembro aponta Romeu Zema (Novo), com R$ 4,3 milhões; Renan Santos (Missão), com R$ 1,3 milhão; e Augusto Cury (Avante), com R$ 440,2 mil.
Os números representam despesas registradas, que não correspondem necessariamente a pagamentos já realizados. Flávio havia quitado aproximadamente R$ 37,5 milhões, enquanto Lula tinha pago R$ 30,9 milhões. A diferença para o total declarado indica compromissos ainda a pagar naquele recorte, sem demonstrar, por si só, atraso ou irregularidade.
Por que Lula apareceu com R$ 100 mil no primeiro levantamento?
No retrato publicado em 9 de setembro pelo Imirante, Flávio liderava com R$ 49,5 milhões em despesas informadas. Caiado aparecia com R$ 20,9 milhões e Zema, com R$ 2,6 milhões. Lula tinha R$ 100 mil registrados, e Cury, R$ 55,2 mil.
A mudança entre as consultas não confirma, no entanto, que Lula acelerou os gastos nessa mesma proporção. Para chegar a essa conclusão, seria necessário verificar quando cada serviço foi contratado, quando ocorreu o pagamento e em que momento a informação entrou no sistema.
Segundo o TSE, a prestação parcial foi enviada entre 9 e 13 de setembro e deveria reunir a movimentação financeira e os recursos estimáveis em dinheiro desde o início da campanha até 8 de setembro. Portanto, a data de consulta do levantamento posterior, 23 de setembro, não deve ser confundida com o encerramento do período abrangido pela prestação parcial.
Na Meta, Lula gastou 6,3 vezes o valor de Flávio
Entre 21 de agosto e 19 de setembro, os presidenciáveis gastaram R$ 5,59 milhões com anúncios nos perfis oficiais das redes da Meta, segundo levantamento do InfoMoney baseado nos dados da plataforma.
Lula respondeu por R$ 4,41 milhões, enquanto Flávio registrou R$ 702,8 mil. Nesse mesmo recorte, Caiado apareceu com R$ 172 mil; Cury, com R$ 128,2 mil; Zema, com R$ 98,1 mil; e Renan Santos, com R$ 76,8 mil.
A comparação mostra uma diferença expressiva no impulsionamento dos perfis analisados, mas não permite medir todo o investimento digital das campanhas. Produção de vídeos, planejamento, equipes e outros serviços precisam ser identificados separadamente nas despesas declaradas.
Também não é possível concluir, apenas com esses totais, que o dinheiro de Flávio foi direcionado a outros canais. Esse diagnóstico depende do cruzamento dos contratos, fornecedores e pagamentos com os anúncios, usando períodos equivalentes.
O cenário digital tem ainda uma restrição relevante: o Google proíbe anúncios de conteúdo político-eleitoral no Brasil. A regra alcança publicidade sobre candidaturas, partidos e outros temas relacionados ao processo eleitoral.
Anúncios de terceiros exigem apuração própria
Além da publicidade dos perfis oficiais, há anúncios publicados por outras páginas. A Lupa identificou uma rede de 68 páginas no Facebook e 38 sites recém-criados que promoveu conteúdos favoráveis a Augusto Cury e críticas a adversários, sobretudo Flávio Bolsonaro.
Segundo a agência, a rede veiculou 1.006 anúncios, com gasto de pelo menos US$ 106,1 mil. A apuração apontou publicações simultâneas, textos semelhantes e outros indícios de coordenação. Esses valores não podem ser atribuídos automaticamente à campanha de Cury: identificar quem financiou a operação e eventual vínculo com a candidatura exige investigação específica.
Horário gratuito também envolve custos de produção
O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começou em 28 de agosto e termina em 1º de outubro. Já 16 de agosto marcou o início da propaganda eleitoral, conforme o calendário do TSE.
A gratuidade do espaço de transmissão não elimina as despesas para produzir as peças. Por isso, comparar estratégias exige distinguir o custo de criação dos programas, o impulsionamento nas redes e os demais serviços contratados.
Para acompanhar os registros, o eleitor pode consultar o DivulgaCandContas. O TSE disponibiliza informações sobre receitas, despesas, doadores e fornecedores, além de arquivos no Portal de Dados Abertos.

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