O BTG Pactual recebe os principais clientes no Teatro B32 durante esta quinta-feira (10). O famoso teatro da Baleia, na avenida Faria Lima, que por sua localização, além de eventos culturais, recebe bastante eventos corporativos e de finanças, sediou a primeira edição do Fórum Empreendedor do BTG Pactual.
A programação trouxe executivos de empresas como Amazon Web Services, Microsoft, TikTok, Salesforce, Google, BNDES e Sebrae, além de nomes da alta performance, como o velejador Robert Scheidt.
Apesar de a programação oficial reservar a abertura a André Esteves, chairman e sócio-sênior do BTG Pactual, quem discursou foi o CEO Roberto Sallouti, sem muitas explicações. Sallouti chegou sendo tratado como celebridade pelos clientes que representavam também grandes empresas presentes, e cumprimentavam o executivo com pedidos de fotos antes de entrar na sala principal do teatro.
Entre no grupo
No discurso inicial, Sallouti citou quatro “provocações” do cenário global para os empresários incorporarem à gestão dos negócios, observando a geopolítica, os juros altos nos Estados Unidos, a mudança climática e a inteligência artificial.
Sobre o primeiro ponto, disse que “a gente vive uma nova guerra fria, e o Brasil, surpreendentemente, está muito bem posicionado pra esse cenário porque a gente pode transacionar com todas as potências globais.”
Otimismo para a economia do Brasil
Uma hora depois, o banqueiro André Esteves subiu ao palco para o painel “Cenários e previsões: como a economia vai impactar os mercados”, ao lado do economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida. Juntos, os dois traçaram uma leitura otimista da economia brasileira, condicionada a um ajuste fiscal.
Diante o quadro macroeconômico atual, Esteves destacou as reservas cambiais e outros índices para justificar o otimismo econômico com o Brasil. No último ano, a fortuna do banqueiro saltou de US$ 6,9 bilhões para US$ 20,2 bilhões, um crescimento de 192,75% em 12 meses.
“Nós [Brasil] temos US$ 370 bi de reservas cambiais, um mercado de capitais pujante, desemprego zero e a inflação que vai ser 4% ou 4,5%. Mesmo que ainda exista um desafio para trazer a inflação para a meta, não estamos com nenhuma ameaça inflacionária relevante” destacou o banqueiro.
A meta para a inflação fixada pelo CMN para o período iniciado em janeiro de 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de menos 1,50 ponto percentual e mais 1,50 ponto percentual, isto é, de 1,50% a 4,50%.
Para Esteves, o ajuste fiscal é a única variável que não parece estar na mesa do atual governo Lula 3. O pensamento é consoante ao parceiro Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual.
Almeida também citou programas sociais, e trouxe o Bolsa Família como um indicador do aumento dos gastos públicos. “É um programa bom, mas funcionou de 2003 até 2019”.
O hiato entre 2019 até hoje é registrado pelo economista com o aumento de 14 milhões de famílias assistidas pelo benefício, com custo de R$ 40 bilhões por ano, para 20 milhões de famílias, com custo de R$ 150 bilhões por ano. No período ainda houve a elevação do piso do benefício para o patamar mínimo de R$ 600.
Mansueto defende que investimentos do governo em programas sociais precisam ser cautelosos para não colapsar as contas públicas. “A classe jovem está muito mais interessada em empregos de qualidade, e neste sentido podemos criar um ambiente de juros muito mais baixos”.
Ideologia política na América Latina
As eleições na América Latina em 2025 também foram embasadas para a reflexão ideológica exposta pelo chairman do BTG Pactual. “Chile, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Uruguai tiveram eleições, e todos esses países fizeram escolhas business-friendly”.
De maneira polida e observando o desempenho dos candidatos à presidência do Brasil, André Esteves trouxe o comportamento do Uruguai, após Yamandú Orsi ser eleito. “Não estou usando conceitos de esquerda e direita, nós estávamos no Uruguai na semana passada, que é um governo de centro-esquerda, totalmente business-friendly. A sociedade latina andou nessa direção. E o político que não ver isso vai perder eleições”.
Dentro das análises, André Esteves ainda destacou o bom comportamento do mercado doméstico, com pouca volatilidade às véspera da eleição no Brasil.
“Essa direção não é ideológica. Ter disciplina com suas contas não deveria ser um tema de esquerda ou de direita, deveria ser um tema de bom senso, de compromisso com a sociedade e de responsabilidade com as futuras gerações”, defendeu Esteves.


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