O deputado federal e presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), declarou apoio ao candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) e afirmou que não pretende votar nem em Lula da Silva (PT) nem em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições de 2026. A manifestação foi divulgada nesta segunda-feira (7), em um vídeo nas redes sociais.
Paulinho afirmou que chegou a considerar a possibilidade de anular o voto, mas mudou de posição após avaliar que Cury apresenta uma alternativa ao cenário de polarização política que domina a disputa presidencial.
“Não aguento mais essa polarização”, afirmou o dirigente, ao defender o nome do escritor e candidato do Avante. Segundo ele, Cury pode representar uma opção para eleitores que não se identificam com os dois principais polos da eleição.
Cury cresce nas pesquisas
A declaração ocorre após Augusto Cury registrar crescimento nas pesquisas eleitorais. No levantamento mais recente do Datafolha, divulgado na última quinta-feira (3), o candidato passou de 2% para 8% das intenções de voto no primeiro turno e assumiu a terceira colocação. Lula aparece com 38%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%.
O avanço também aparece em outros levantamentos recentes. A candidatura de Cury tem buscado se apresentar como uma alternativa de centro diante da disputa entre petistas e bolsonaristas, estratégia que ganhou espaço principalmente entre eleitores que se declaram não alinhados aos dois grupos.
A posição de Paulinho reforça esse movimento. Em vez de aderir a uma das duas candidaturas que lideram as pesquisas, o dirigente decidiu apoiar um nome que tenta ocupar o espaço de terceira via na eleição presidencial.
Solidariedade mantém liberdade para apoiar candidatos
A manifestação também ocorre em um contexto no qual o Solidariedade e o PRD decidiram adotar neutralidade na disputa pela Presidência. A federação formada pelas duas legendas oficializou a decisão em agosto, deixando os diretórios e integrantes livres para declarar apoio individual aos candidatos.
Com isso, o apoio de Paulinho a Cury não representa uma mudança formal na posição nacional da federação, mas tem peso político por se tratar do presidente do Solidariedade.
O próprio Cury afirmou nesta segunda-feira que mantém conversas com lideranças de diferentes partidos e citou Paulinho entre os políticos com quem dialoga. O candidato disse, porém, que eventual composição de governo não seria baseada em distribuição de cargos entre partidos.
Apoio a Tarcísio em São Paulo
No cenário estadual, Paulinho já declarou apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Em junho, Solidariedade e PRD anunciaram apoio à continuidade do governador no comando de São Paulo, depois de também terem sido procurados por setores ligados à oposição.
Paulinho chegou a ser sondado por integrantes do PT para disputar o governo paulista, em uma tentativa de alterar a configuração da eleição, mas não levou a candidatura adiante. Também chegou a considerar uma disputa pelo Senado, antes de desistir.
Com a decisão de apoiar Cury na corrida presidencial e Tarcísio no plano estadual, Paulinho passa a adotar posições distintas das principais candidaturas que disputam a Presidência e reforça a estratégia de se afastar da polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
O apoio formal a Augusto Cury está previsto para esta terça-feira (8), às 17h.


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