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Daniel Vorcaro decide delatar diretor-geral da PF após ameaças

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O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sinalizou disposição para apresentar informações sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual nova proposta de colaboração premiada. A afirmação teria ocorrido durante depoimento prestado na semana passada a um juiz auxiliar do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Segundo apurações divulgadas nesta quarta-feira (2), a oitiva ocorreu na quinta-feira (27), na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília. O depoimento foi conduzido pelo juiz auxiliar João Azambuja, sem a participação de investigadores da Polícia Federal. Um representante do Ministério Público Federal acompanhou a audiência.

De acordo com informações obtidas pelo Estadão e repercutidas por outros veículos, Vorcaro afirmou que propostas anteriores de delação teriam sido rejeitadas pela Polícia Federal para evitar que ele apresentasse informações relacionadas a Rodrigues. O ex-banqueiro também teria relatado ameaças e pressões durante o período em que esteve preso. As acusações, porém, não foram acompanhadas de provas apresentadas por ele no depoimento, segundo os relatos publicados.

A menção ao diretor da PF ocorre em um momento de forte tensão entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da corporação. O ministro passou a concentrar sob sua relatoria parte das investigações relacionadas ao Banco Master e determinou medidas que ampliaram o escrutínio sobre mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A relação entre Mendonça e Rodrigues já vinha sendo marcada por divergências sobre a condução de diferentes inquéritos.

Mensagens citam Andrei e Paulo Gonet

O nome de Rodrigues também aparece em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. Nos registros, o ex-banqueiro teria pedido ao ministro Alexandre de Moraes que buscasse uma forma de conter ou retardar o avanço das investigações sobre o Banco Master.

Em uma mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão, Vorcaro questionou se seria possível reverter a situação com Rodrigues e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em outro registro, de 30 de outubro daquele ano, pediu que fosse reforçada com os dois a necessidade de evitar medidas que, segundo ele, poderiam prejudicar o banco.

Os diálogos fazem parte de um relatório da Polícia Federal tornado público por Mendonça. O conteúdo passou a integrar a crise institucional envolvendo o STF, a PF e a investigação sobre o Banco Master. As mensagens, contudo, registram pedidos feitos por Vorcaro e não comprovam, por si só, que as autoridades mencionadas tenham atendido às solicitações.

Viagem a Londres também entrou no radar

Outro ponto relacionado ao caso envolve a participação de autoridades em um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024, patrocinado pelo Banco Master. Entre os participantes estavam ministros do STF, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal.

Segundo informações divulgadas anteriormente, a viagem de Rodrigues ao evento foi custeada pelo banco. O caso chegou a motivar iniciativa no Congresso para que o diretor-geral prestasse esclarecimentos sobre a viagem.

Relatórios e mensagens analisados pela PF também mostram que Vorcaro mantinha contatos com autoridades e organizava encontros com convidados durante o período. Em um desses contextos, aparecem referências a uísque Macallan e charutos oferecidos durante reuniões e eventos.

Terceira tentativa de colaboração

A possibilidade de uma nova delação ocorre depois de outras tentativas de acordo. Em julho, informações indicavam que a PGR e a Polícia Federal demonstravam resistência em avançar com novas negociações com Vorcaro, depois de propostas anteriores terem sido rejeitadas.

Agora, o depoimento ao gabinete de Mendonça acrescenta uma nova frente à disputa. Vorcaro apresentou sua versão sobre a atuação da Polícia Federal e citou diretamente Rodrigues, mas o teor completo da audiência permanece sob sigilo e as acusações feitas pelo ex-banqueiro ainda não foram comprovadas.

A defesa de Vorcaro sustenta que ele está disposto a colaborar com as investigações e apresentar informações às autoridades. Segundo os relatos, porém, as tentativas de negociação de um acordo de colaboração não avançaram, enquanto PF e PGR mantêm ressalvas sobre as alegações apresentadas pelo ex-banqueiro e sobre a possibilidade de um novo acordo.

Fonte: Clique aqui

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