A disputa pelas 54 vagas do Senado Federal em 2026 também reproduz a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. O cenário, porém, é mais complexo do que a disputa presidencial, já que alianças estaduais permitem que candidatos ao Senado apoiem diferentes projetos nacionais e, em alguns casos, dividam o mesmo palanque.
Um levantamento divulgado pelo Estadão mostra que grupos ligados a 10 governos estaduais apoiam chapas ao Senado alinhadas a Lula, enquanto seis governos estaduais estão associados a candidaturas apoiadas por Flávio Bolsonaro. Em outros oito estados, três forças disputam espaço, uma ligada ao presidente, outra ao senador e uma terceira vinculada ao próprio governador ou ao seu grupo político.
O desenho das alianças revela que a eleição para o Senado terá forte componente regional. A definição dos dois nomes eleitos em cada estado pode depender não apenas da polarização nacional, mas também das disputas pelos governos estaduais e das alianças construídas pelos partidos.
Bahia tem chapa petista e oposição bolsonarista
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues apoia uma chapa formada por Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do mesmo partido do presidente. A composição representa uma das principais apostas do grupo governista para conquistar as duas vagas em disputa.
Do outro lado, João Roma e Angelo Coronel aparecem como os nomes associados ao grupo de Flávio Bolsonaro. O cenário baiano coloca frente a frente duas forças políticas com projetos distintos para o Senado.
Pesquisas recentes mostram vantagem dos dois candidatos apoiados pelo presidente. No levantamento Genial/Quaest de julho, Rui Costa apareceu com 22% e Jaques Wagner com 16%, enquanto João Roma e Angelo Coronel registraram 6% cada.
Já a pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em agosto mostrou Rui com 44,6%, Wagner com 35,1%, Roma com 24,1% e Coronel com 21,9%. O levantamento ouviu 1.400 eleitores e foi registrado no TSE sob o número BA-03043/2026.
Nordeste concentra alianças
O Nordeste aparece como a região de maior presença de palanques alinhados ao presidente. Em Alagoas, a chapa formada por Renan Calheiros e José Wanderley é apoiada pelo grupo governista e também conta com o respaldo de Lula.
No Ceará, Luizianne Lins e Cid Gomes integram a composição apoiada pelo governador Elmano de Freitas e pelo presidente. No Piauí, Júlio César e Marcelo Castro também estão no arco de alianças governistas.
Em Sergipe, Rogério Carvalho e André Moura formam a chapa apoiada pelo governador Fábio Mitidieri e pelo grupo de Lula.
Pernambuco apresenta um cenário diferente. A governadora Raquel Lyra apoia Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha, enquanto o palanque de Lula está associado a João Campos, com Humberto Costa e Marília Arraes na disputa pelo Senado.
O desenho regional reforça uma estratégia já observada durante a campanha, o grupo de Flávio tem menor presença formal no Nordeste. Levantamento recente aponta que o senador conta com apoio explícito em apenas três dos nove estados nordestinos, enquanto em outros locais candidatos aliados preferem manter neutralidade.
Flávio aposta em chapas próprias
O grupo de Flávio Bolsonaro apresenta algumas das chapas mais fechadas da eleição. No Distrito Federal, por exemplo, Bia Kicis e Michelle Bolsonaro formam uma composição exclusivamente ligada ao PL.
Em Santa Catarina, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro também integram uma chapa identificada diretamente com o grupo bolsonarista.
No Rio de Janeiro, Flávio apoia Carlos Portinho e Carlos Jordy. Como o estado está sem governador eleito após a saída de Cláudio Castro, a disputa ao Senado não conta com uma chapa formalmente respaldada pelo Executivo estadual.
No Mato Grosso do Sul, os nomes associados ao grupo bolsonarista também disputam dentro de uma composição própria.
Três forças aparecem em estados
Em alguns dos principais colégios eleitorais, a disputa se divide entre três grupos.
No Paraná, o governador Ratinho Junior apoia Alexandre Curi e Cristina Graeml. Lula está com Dr. Rosinha e Gleisi Hoffmann, enquanto Flávio Bolsonaro apoia Felipe Barros e Deltan Dallagnol.
No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite apoia Frederico Antunes e Germano Rigotto. Lula está ao lado de Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta, enquanto Flávio apoia Sanderson e Marcel van Hattem.
Em Goiás, Gracinha Caiado e Vanderlan Cardoso são associados ao grupo do governador Daniel Vilela. Flávio apoia Gustavo Gayer e Oséias Varão, enquanto Lula tem Isaura Lemos e Cíntia Dias como nomes de sua base.
Em Mato Grosso, Mauro Mendes e Margareth Buzetti aparecem na composição ligada ao grupo estadual. Carlos Fávaro e Pedro Taques são apoiados por Lula, enquanto José Medeiros representa a aliança com Flávio.
Tabela mostra o mapa das alianças
| Região | Estado | Grupo ligado a Lula | Grupo ligado a Flávio | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Norte | Acre | Jorge Viana | Márcio Bittar e Mara Rocha | Disputa entre grupos |
| Norte | Amapá | Randolfe Rodrigues e Alliny Serrão | Lucas Barreto e Rayssa Furlan | Duas forças |
| Norte | Amazonas | Eduardo Braga | Capitão Alberto Neto | Terceira força estadual |
| Norte | Pará | Helder Barbalho e Chicão | Éder Mauro e Zequinha Marinho | Disputa regional |
| Norte | Rondônia | Luciana Oliveira e Aires Mota | Bruno Scheid e Fernando Máximo | Três grupos |
| Norte | Tocantins | Paulo Mourão | Eduardo Gomes e Carlos Gaguim | Disputa direta |
| Nordeste | Bahia | Rui Costa e Jaques Wagner | João Roma e Angelo Coronel | Chapa petista x oposição |
| Nordeste | Ceará | Luizianne Lins e Cid Gomes | Capitão Wagner e Alcides Fernandes | Três forças |
| Nordeste | Alagoas | Renan Calheiros e José Wanderley | Arthur Lira e Marina Candia | Duas alianças |
| Nordeste | Piauí | Júlio César e Marcelo Castro | Tiago Junqueira | Disputa direta |
| Centro-Oeste | Goiás | Isaura Lemos e Cíntia Dias | Gustavo Gayer e Oséias Varão | Três grupos |
| Centro-Oeste | Mato Grosso | Carlos Fávaro e Pedro Taques | José Medeiros | Terceira força estadual |
| Centro-Oeste | Distrito Federal | Érika Kokay e Leila do Vôlei | Bia Kicis e Michelle Bolsonaro | Chapas distintas |
| Sul | Paraná | Dr. Rosinha e Gleisi Hoffmann | Felipe Barros e Deltan Dallagnol | Três forças |
| Sul | Rio Grande do Sul | Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta | Sanderson e Marcel van Hattem | Três forças |
| Sul | Santa Catarina | Afrânio Boppré e Décio Lima | Carol de Toni e Carlos Bolsonaro | Terceira via também presente |
| Sudeste | São Paulo | Marina Silva e Simone Tebet | André do Prado e Guilherme Derrite | Terceira força com Ricardo Salles |
| Sudeste | Rio de Janeiro | Benedita da Silva e Pedro Paulo | Carlos Portinho e Carlos Jordy | Sem palanque governista |
| Sudeste | Minas Gerais | Marília Campos e Áurea Carolina | Domingos Sávio | Terceira força estadual |
| Sudeste | Espírito Santo | Fabiano Contarato e Renato Casagrande | Maguinha Malta e Evair de Melo | Alianças cruzadas |
Senado se torna peça estratégica da eleição
A eleição de 2026 renovará dois dos três assentos de cada estado e do Distrito Federal, totalizando 54 vagas. Por isso, a composição das chapas pode ter impacto direto na correlação de forças do Congresso Nacional a partir de 2027.
Na Bahia, por exemplo, os dados mais recentes apontam uma disputa concentrada inicialmente entre Rui Costa e Jaques Wagner, com João Roma e Angelo Coronel buscando avançar na oposição. O levantamento Real Time Big Data de agosto colocou os dois petistas na liderança e Roma e Coronel empatados em 15%.
O quadro demonstra que a polarização entre Lula e Flávio não se reproduz de maneira uniforme nos estados. As alianças nacionais convivem com interesses regionais, e governadores, partidos e candidatos ao Senado mantêm estratégias próprias para garantir espaço na próxima legislatura.
Além da disputa presidencial, portanto, o mapa das alianças para o Senado será decisivo para definir quem terá maior capacidade de influência política no Congresso a partir de 2027.

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