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Bancários podem paralisar atendimento em todo o Brasil nesta quinta-feira (20) após impasse sobre reajuste salarial

Bancários podem paralisar atendimento em todo o Brasil nesta quinta-feiraFoto: Pexels/ND Mais

Os bancários de todo o Brasil podem paralisar as atividades na próxima quinta-feira (20) caso a oitava rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada da categoria termine sem acordo sobre as reivindicações, segundo a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro).

De acordo com a entidade, o Comando Nacional dos Bancários volta a se reunir com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) nesta terça-feira (18).

Na última rodada de negociações, realizada na semana passada, a Fenaban não apresentou uma proposta de reajuste salarial, afirma a Contraf. Em vez disso, os bancos propuseram congelar o piso de ingresso para novos bancários e aplicar reajustes diferenciados para três faixas salariais.

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Segundo a entidade sindical, a representação dos bancos não detalhou quais seriam essas faixas nem os percentuais de reajuste previstos. Também propôs reduzir os valores dos vales-alimentação e refeição nas cidades do interior, mantendo reajustes apenas para as grandes capitais.

Impasse nas negociações coloca paralisação dos bancários em pauta

Diante do impasse, o Comando Nacional dos Bancários aprovou a realização de assembleias em sindicatos de todo o país para consultar a categoria sobre as propostas patronais e discutir a realização de paralisações e manifestações em 20 de agosto. As principais reivindicações da categoria são:

  • Aumento real dos salários e demais verbas, como PLR e vales-alimentação e refeição
  • Valorização do piso salarial e criação de um piso para trabalhadores de TI;
  • Fim das metas abusivas, combate ao assédio algorítmico e ao monitoramento permanente;
  • Contratação de mais funcionários para reduzir filas e sobrecarga de trabalho;
  • Igualdade de oportunidades e de ascensão profissional para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e LGBTQIA+;
  • Fortalecimento de programas de qualificação e ampliação da participação de mulheres na área de tecnologia.

Entenda a argumentação do movimento

Segundo a Contraf, o patrimônio líquido do setor bancário alcançou R$ 1,2 trilhão em 2025. No mesmo período, entre 2015 e 2025, o setor fechou 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências, enquanto os cinco maiores bancos ampliaram em 49% os contratos com correspondentes bancários.

A entidade também afirma que a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados deve chegar a R$ 12,5 milhões em 2026.

O valor seria equivalente a cerca de 120 vezes a remuneração anual de um escriturário. Outro dado apresentado é que, em 2025, as agências bancárias realizaram 7,2 bilhões de transações, média de 28,6 milhões por dia útil. Segundo a Contraf, o lucro por empregado chegou a R$ 438 mil.

A confederação ainda afirma que o vale-alimentação acumula perda real de 13% entre 2019 e 2025, enquanto o vale-refeição registra queda de 3,7% entre 2023 e 2025. Para recompor o poder de compra de 2019, o VA mensal precisaria passar de R$ 924,47 para R$ 1.293,73, um reajuste de cerca de 40%.

Cronologia das negociações entre bancários e bancos

  • 24 de junho: o Comando Nacional entregou a pauta de reivindicações à Fenaban e deu início às mesas de negociação.
  • 2 de julho: ocorreu a 1ª rodada de negociações, com debates sobre cláusulas sociais, jornada 4×3, teletrabalho, direito à desconexão e inclusão de pessoas com deficiência (PCDs).
  • 7 de julho: a 2ª rodada teve como foco emprego, fechamento de agências, demissões, teletrabalho e os impactos da inteligência artificial.
  • 16 de julho: a 3ª rodada tratou da igualdade de oportunidades e da ampliação de direitos para grupos minorizados.
  • 21 de julho: a 4ª rodada abordou saúde mental, combate às metas abusivas e condições de trabalho.
  • 30 de julho: na 5ª rodada, os trabalhadores cobraram aumento real dos salários, da PLR, dos vales e das demais verbas.
  • 13 de agosto: na 7ª rodada, a Fenaban não apresentou proposta de reajuste salarial e sugeriu congelar o piso de ingresso, além de criar reajustes diferenciados por faixas salariais.

Posicionamento da Febraban

O ND Mais procurou a Federação Brasileira de Bancos para comentar a possibilidade de paralisação e o andamento das negociações.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.


Fonte: Clique aqui

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