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por que SC virou alvo de alerta e de ‘caçadores’ dos EUA

Meteorologista Piter Scheuer alerta para aumento do risco de tornados no Oeste de SC nos próximos meses.Foto: Imagem gerada por IA/Magnific/ND Mais

O Oeste de Santa Catarina voltou ao radar quando o assunto é tornado. A região, conhecida pelo histórico de tempestades severas, entra no período entre o fim do inverno e a primavera sob atenção de meteorologistas diante da possibilidade de uma atmosfera mais favorável à formação desses fenômenos.

O alerta mais recente foi feito pelo meteorologista Piter Scheuer. Segundo ele, o risco de tornados deve aumentar nos próximos meses, principalmente no Oeste do Sul do Brasil, com possibilidade de formação de supercélulas — tempestades altamente organizadas que podem produzir vento destrutivo, granizo e tornados.

Scheuer chama atenção para a possibilidade de supercélulas tornádicas.Foto: RuasCZO/@ruasczo/Instagram/ND Mais

Por que o Oeste de SC favorece tornados?

A resposta está na combinação de diferentes condições atmosféricas.

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O Oeste catarinense recebe ar quente e úmido transportado da Amazônia pelo chamado jato de baixos níveis. Ao mesmo tempo, há influência de sistemas atmosféricos associados aos Andes e à entrada de ar em níveis mais altos da atmosfera.

Quando esses fluxos se encontram com frentes frias, sistemas de baixa pressão, calor e umidade, a atmosfera pode ficar bastante instável e favorecer a formação de tempestades severas e supercélulas.

É justamente essa combinação que levou Piter Scheuer a apontar o Oeste e o Meio-Oeste de Santa Catarina como parte do segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas da região central dos Estados Unidos. A afirmação é atribuída ao meteorologista e considera a recorrência de tempestades severas e as condições atmosféricas características da região.

O alerta para os próximos meses

No alerta mais recente, Scheuer afirmou que a temporada de tornados está apenas começando e que o risco deve crescer durante o fim do inverno e a primavera.

Entre os fatores citados estão sistemas de baixa pressão, frentes frias, complexos convectivos, transporte de umidade da Amazônia, jato de baixos níveis, perturbações nos níveis médios da atmosfera e temperaturas elevadas próximas à superfície.

Alerta aponta possibilidade de tornados, granizo, vendavais e chuva intensa no período.Foto: Clima ao Vivo/Reprodução

O meteorologista também chamou atenção para outros fenômenos que podem acompanhar esse cenário, como granizo, chuva intensa, vendavais, enchentes e deslizamentos.

O alerta, porém, não significa que haverá tornados diariamente ou que todas as cidades do Oeste serão atingidas. Trata-se de uma indicação de que as condições atmosféricas podem ficar mais favoráveis ao desenvolvimento de tempestades capazes de produzir esses fenômenos.

El Niño aumenta a atenção

O cenário também ocorre durante um período de fortalecimento do El Niño, fenômeno que altera os padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta e pode influenciar a distribuição de chuva no Sul do Brasil.

É importante destacar que o El Niño não causa diretamente um tornado. A formação do fenômeno depende de uma combinação específica de temperatura, umidade, pressão e comportamento dos ventos em diferentes níveis da atmosfera.

O fenômeno, entretanto, pode contribuir para um ambiente de grande escala mais favorável a determinados padrões de instabilidade.

Por que os “caçadores de tornados” estão vindo?

O aumento da atenção sobre o Sul também chegou aos Estados Unidos.

O meteorologista norte-americano Reed Timmer, conhecido por perseguir tempestades severas e realizar pesquisas durante eventos extremos, anunciou que sua equipe, a Team Dominator, pretende vir ao Sul do Brasil para acompanhar a temporada.

Team Dominator é conhecida por “caçar” tempestades e realizar pesquisas durante eventos meteorológicosFoto: Reprodução/Discovery Channel/ND Mais

A expedição pode passar por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estados que integram a região conhecida por Timmer como “Alameda dos Tornados”.

A intenção é monitorar de perto as condições atmosféricas e acompanhar tempestades severas durante o período de maior atenção.

Em publicação nas redes sociais, Timmer relacionou o cenário ao El Niño e afirmou que a equipe deve seguir para o Sul em breve.

A movimentação dos especialistas norte-americanos não significa que um tornado esteja previsto para determinada cidade. O interesse está justamente nas condições favoráveis à formação de tempestades severas e na possibilidade de acompanhar esses fenômenos em campo.

Um histórico que explica a preocupação

A atenção não surge do nada. Santa Catarina já registrou tornados destrutivos, especialmente no Oeste.

Entre os episódios mais marcantes estão o tornado de Guaraciaba, em 2009, e o de Xanxerê, em 2015, que provocaram grandes danos.

Além deles, o Oeste catarinense teve novos registros nos últimos anos. Em novembro de 2025, por exemplo, a Defesa Civil confirmou três tornados no Oeste, em Dionísio Cerqueira, Xanxerê e Faxinal dos Guedes, após uma sequência de tempestades severas.

Histórico de eventos severos ajuda a explicar a atenção sobre o Oeste catarinense.Foto: Arquivo/ND Mais

O histórico reforça por que a região exige atenção quando as condições atmosféricas se tornam favoráveis.

O que fazer diante de um tornado?

A recomendação mais importante é não sair para observar ou filmar o fenômeno.

Em caso de alerta para tempestade severa ou tornado, a população deve procurar abrigo em uma construção resistente, afastar-se de janelas e portas de vidro e proteger a cabeça e o pescoço.

Também é importante evitar árvores, postes e estruturas que possam cair e acompanhar as informações dos órgãos oficiais de meteorologia e da Defesa Civil.


Fonte: Clique aqui

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