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Como o abraço do PT em 2026 pode sufocar projetos nacionais de PSB e PDT

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A eleição de 2026 será conhecida como o fim de uma era, independente de seu resultado. Será a última em que Lula (PT) estará na urna e que sua presença funcionará como força de agregação quase obrigatória da esquerda. Os aliados podem até não concordar, não gostar, podem até ter horror ao PT, mas se forem de esquerda são obrigados a se unir aos petistas por causa da força de atração que o lulismo exerce.

Em 2030, sem o líder que organiza esse campo há mais de quatro décadas, o espaço ficará aberto. Haverá disputa dentro do PT, mas também fora dele. E quem conhece política sabe que sucessão sem herdeiro incontestável produz nada de confraternização e uma boa dose de fratricídio.

Por isso, é importante questionar: o PT realmente quer o sucesso de partidos aliados mas independentes como o PSB e o PDT nas eleições de 2026? Os petistas vão permitir que eles se fortaleçam agora e tenham nomes viáveis daqui a quatro anos quando o PT estará fragilizado pela ausência eleitoral de Lula?

Herança

O PT já convive com sua própria fila de pretendentes. Fernando Haddad (PT) foi apresentado (quase como uma gafe) por Lula como sucessor, mas uma declaração não encerra uma disputa que envolve ministros, governadores, dirigentes e correntes internas. Todos sabem ainda que a herança poderá ser reivindicada por atores de outras legendas. João Campos, presidente nacional do PSB, é uma dessas possibilidades. Jovem, popular, eficiente na comunicação e candidato ao Governo de Pernambuco, ele trabalha para ultrapassar as fronteiras do estado. O PDT também pode atrair ou produzir uma liderança capaz de disputar esse espaço se crescer em 2026.

Para chegar a 2030 com capacidade de reivindicação, porém, não basta ter um nome conhecido. É preciso contar com bancada, dinheiro, tempo de propaganda, governadores, prefeitos e capilaridade nacional. Um presidenciável sem partido forte, sem estrutura, passa a ser apenas um comentarista privilegiado da própria vontade. Por isso, a eleição de 2026 também participa da sucessão de Lula em 2030. O PT vai ajudar os aliados famintos por protagonismo futuro a ficarem mais fortes no presente?

Queda

Os números ajudam a explicar o motivo de esta eleição ser crucial para o PT tentar anular esses concorrentes à esquerda. Em 2018, o PSB recebeu 5,2 milhões de votos para deputado federal e elegeu 32 parlamentares. Quatro anos depois, caiu para 4 milhões de votos e apenas 14 cadeiras. Cumpriu a cláusula de desempenho pelos dois caminhos previstos, votação nacional e bancada distribuída pelos estados, mas perdeu mais da metade de sua representação em uma legislatura.

O PDT, no mesmo período, desceu de 3,9 milhões para 3,5 milhões de votos e de 28 para 17 deputados. A situação territorial foi mais frágil. Embora tenha elegido 17 nomes, não conseguiu distribuí-los por nove estados e só superou a cláusula graças à votação nacional. Em 2026, a régua vai ficar mais alta e aumenta para 2,5% dos votos válidos, com pelo menos 1,5% em nove estados, ou 13 deputados eleitos também em nove unidades da Federação. É muito difícil.

Os dois partidos podem passar novamente, claro. Também podem chegar perigosamente perto da linha. mas ficarem abaixo dela perdem acesso regular ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita, além de abrir caminho para a saída de parlamentares. A sigla continua existindo no papel, mas sua capacidade de disputar poder encolhe brutalmente. E elas terão que buscar socorro nos braços de alguém que lhes sustente, numa federação com o PT, por exemplo.

Convites

Não é uma preocupação surgida agora. Desde 2023, PSB e PDT discutem alternativas para isso. Primeiro negociaram uma federação entre eles, com a possível participação do Solidariedade. As divergências estaduais derrubaram a tentativa. Em 2024, o PSB retomou o diálogo com PDT e Cidadania. O acordo também não avançou.

Em 2025, o PT fez um movimento mais ambicioso. Lideranças petistas defenderam a ampliação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A proposta chegou a incluir PSB, PDT, PSOL e Rede numa grande estrutura de centro-esquerda. Para o PSB, a ideia foi considerada inexequível. Para o PDT, quase impossível. Ambos preferiram preservar a autonomia e correr o risco de tentar superar sozinhos a barreira em 2026.

A resistência faz sentido. Numa federação comandada pelo PT, tanto o PSB quanto o PDT teriam segurança eleitoral, mas perderiam total liberdade. Precisariam seguir as mesmas decisões durante quatro anos, inclusive nos estados onde hoje disputam espaço com os petistas. Estariam protegidos da cláusula e, ao mesmo tempo, acomodados sob o teto de quem pretendem suceder em 2030. Se encolherem e tiverem que obedecer as ordens dos petistas, como ocuparão o lugar de Lula, contra o próprio PT?

Interesse

Chegamos, então, à pergunta incômoda. O PT realmente tem interesse em ver PSB e PDT mais fortes em 2026? Tem interesse em ver João Campos eleito governador, fortalecido como um nome nacional?

Publicamente, a resposta será sempre positiva. São aliados de Lula, participam do mesmo campo político e ajudam a ampliar sua coligação. O PT celebrará cada apoio e defenderá a eleição de seus parceiros. Mas nos bastidores a conta é diferente. Cada deputado a mais do PSB ou do PDT significa recursos, estrutura e poder de negociação para partidos que poderão disputar com o PT a liderança da esquerda em 2030.

No caso de João Campos, a contradição fica ainda mais evidente. Uma vitória em Pernambuco poderá transformá-lo em governador de um estado importante, presidente partidário e personagem nacional aos 32 anos. É difícil imaginar que todo o PT esteja disposto a fazer enorme esforço para fabricar um concorrente potencial à sucessão futura de Lula.

Apoiar é necessário. Fortalecer demais já exige uma generosidade difícil de acreditar.

Amanhã

O mesmo raciocínio vale para as bancadas. Se PSB e PDT superarem a cláusula com folga, chegarão a 2030 em condições de negociar com o PT. Se fracassarem, a pressão para que entrem numa federação comandada pelos petistas aumentará. O convite recusado em 2025 poderá reaparecer com outro peso. Em vez de uma escolha entre aliados, poderá ser apresentado como caminho de sobrevivência.

Lula ainda mantém todos juntos porque ninguém à esquerda pode ignorar sua liderança ou abrir mão facilmente de seus votos. Depois dele, essa disciplina tende a desaparecer. O aliado de hoje pode ser o concorrente de amanhã, e 2026 oferece a última oportunidade de escolher quem chegará forte à disputa. O PT torce pelo sucesso de PSB e PDT enquanto precisa deles. Para o futuro, pode esquecer.

Fonte: Clique aqui

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