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"Realidade sem maquiagem"

Décima governante em apenas uma década de crise prolongada, a filha de Alberto Fujimori venceu eleições acirradas, tendo sido declarada vitoriosa no início do mês. Na posse, nesta terça, Keiko Fujimori ressaltou a necessidade de reconciliação nacional, disse que a realidade demanda coragem, sem maquiagem nem meias verdades. Keiko conquista o poder após três tentativas frustradas, como representante de um conservadorismo que avança no continente sul-americano. Ela faz questão de repetir o desejo de reforçar laços com os Estados Unidos de Donald Trump, de olho em apoio financeiro e político para enfrentar a crise de várias facetas, entre as quais, a alta criminalidade que assusta a população peruana.
Nos últimos dez anos, seus antecessores foram pressionados por escândalos de corrupção, protestos nas ruas, embates com o Congresso, tentativa de autogolpe e mandatos interinos de curta duração, para preservar o mínimo de saúde institucional até as eleições. Ao conferirem à filha de Fujimori a missão de resgatar a estabilidade no país, os peruanos escolhem uma mulher de 51 anos que parece ter se desvencilhado do peso de um legado que afronta a democracia: o pai de Keiko promoveu um autogolpe em 1992, fechando o parlamento, levando os militares às ruas para reprimir manifestações e promulgando nova Constituição, um ano depois. Ficou dez anos no poder, sendo acusado de violação dos direitos humanos e, também, de corrupção. Alberto Fujimori morreu em 2024.
Na campanha que obteve a maioria apertada da população, Keiko Fujimori promete implantar centros de comando de segurança em todo o país, com informação em tempo real e Inteligência Artificial (IA) no apoio de ações preventivas ou de emergência. O controle dos orçamentos é a promessa para impedir a corrupção. Para a economia, o plano é reduzir custos das empresas, na adoção de agenda liberal para impulsionar o desenvolvimento. “Assumo o cargo com a firmeza necessária para governar, mas também com a sensibilidade exigida para ouvir e curar as feridas do nosso povo”, disse em seu discurso a nova presidente. Resta saber se o conceito de firmeza seguirá a cartilha do pai, e se a sensibilidade estará mais atenta às demandas populares ou ao exercício do poder.
Para que a realidade sem maquiagem se apresente e não se turve, mais uma vez, a nova liderança da direita sul-americana pode cumprir o desígnio democrático que lhe foi conferido, sem macular os pilares da democracia. Desse modo, a alternância de poder que é própria do processo democrático será vista, adiante, com naturalidade. Afinal, a maquiagem que falseia a realidade é um dos piores artifícios de autocratas e aspirantes a ditadores. Os peruanos esperam da presidente que mantenha o curso democrático no governo, atuando com a firmeza mencionada a qualquer ameaça contra os direitos individuais e coletivos, assegurando liberdade aos cidadãos e o funcionamento das instituições.
“Venho oferecer método, disciplina, trabalho árduo e um roteiro claro”, disse Keiko Fujimori. Os peruanos aguardam com esperança os resultados da oferta escolhida nas urnas.

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