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Estrela Brilhante completa 120 anos no Recife

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Um dos grupos de maracatu nação mais antigos do Recife, a Nação de Maracatu de Baque Virado Estrela Brilhante do Recife carrega, há 120 anos, a corte real, os batuques e cores do maracatu pela Zona Norte do Recife.

Atualmente sediada no Alto José do Pinho, a tradicional agremiação azul e branca preserva o compromisso com as calungas, a ancestralidade e a cultura afro-brasileira.

Ao longo de mais de um século, gerações de batuqueiros, baianas, damas de passo e porta-estandartes mantiveram viva a tradição movidos pela herança familiar e pela paixão pelo ritmo.

Neste dia 16, o Estrela Brilhante do Recife inicia os festejos de aniversário. Até o dia 19 de julho, o grupo vai promover o Festival Trovão Azul no Alto José do Pinho, com apresentações culturais, oficinas, rituais religiosos e rodas de diálogo.

Com o tema “Onde a mulher é respeitada, a vida canta mais alto”, o festival terá como ponto central o protagonismo da mulher negra em manifestações culturais de matriz africana, em especial no maracatu de baque virado.

O festejo será liderado por Marivalda Maria dos Santos, ialorixá, rainha e presidenta da agremiação, que há mais de três décadas está à frente do Estrela Brilhante.

“Ser rainha não é ser rainha de trono que vive sentada. É rainha de trabalho, de botar a mão na massa, fazer compras e correr atrás de dinheiro”, afirma.



Marivalda Maria dos Santos está à frente do Estrela Brilhante há mais de três décadas – JAILTON JR./JC IMAGEM

Fundada em 16 de julho de 1906 por Cosme Damião Tavares, a Estrela Brilhante é guiada pelas calungas Dona Joventina e Dona Erundina. As coroas e vestimentas das bonecas sagradas simbolizam a ligação entre o maracatu e as religiões de matriz africana.

“É o compromisso que o maracatu tem com os orixás. As pessoas têm que saber também de onde saiu, de onde veio e onde está”, diz Marivalda.

A primeira sede da nação funcionou no bairro de Campo Grande. Em 1995, a agremiação passou a ocupar o Alto José do Pinho, onde permanece até hoje.

Sob o comando do mestre Fábio Aquino, o batuque reúne mais de 500 integrantes durante o Carnaval e arrasta milhares de pessoas pelas ruas do Recife.

É muito pesado fazer cultura dentro de Pernambuco

Marivalda Maria dos Santos, presidenta do Estrela Brilhante do Recife

Paixão familiar



Maracatu Estrela Brilhante do Recife carrega tradição familiar – JAILTON JR./JC IMAGEM

O elo com o Estrela Brilhante costuma atravessar gerações.

A dama de passo Fabiana Silva entrou para a nação por influência do filho. Quando decidiu desfilar, em 2020, foi incentivada pela criança a integrar o cortejo. “A gente não escolhe, a gente é escolhido”, diz.

Hoje, ao carregar uma das calungas, ela diz que representa a força das mulheres negras e da ancestralidade.

“A partir do momento que a gente carrega cada calunga, existe um significado, uma responsabilidade e uma representação das mulheres negras. Nós somos instrumentos delas: elas mostram o caminho e a gente segue com a nação”.

Fernanda de Fátima da Silva, responsável por conduzir a calunga Dona Erundina durante os desfiles, também chegou ao grupo por meio da filha.

“Primeiro acompanhei minha filha, que começou a sair com 9 anos. Quando ela completou 11, eu também comecei a desfilar, como Catirina”.

Há 24 anos na agremiação, João Vitor Ferreira de Souza, de 30 anos, participa ao lado da mãe e dos irmãos. “O Estrela, para mim, é tudo”.

Desafios para manter a tradição

Apesar da relevância histórica do maracatu, integrantes da nação afirmam que a cultura popular ainda enfrenta dificuldades para obter financiamento.

João Vitor critica a falta de investimentos públicos.

“São grupos que fazem tanto pela nossa cidade e pelo nosso estado e não são tão reconhecidos. Pagam milhões para várias pessoas tocarem aqui e o maracatu nem recebeu ainda”.

Marivalda afirma que a Prefeitura do Recife ainda não efetuou o pagamento referente ao Carnaval deste ano, situação que, segundo ela, dificulta a manutenção da agremiação.

“É muito pesado fazer cultura dentro de Pernambuco”.

Para Fabiana Silva, a permanência da nação ao longo de mais de um século é resultado da resistência de muitas gerações.

“São 120 anos, não são 120 dias. Já percorremos muita estrada, já passamos por muitas pedras para elas chegarem aqui e terem o nome que têm”.

Festival homenageia mulheres



Celebração de 120 Anos do Maracatu Estrela Brilhante do Recife vai homenagear as mulheres – JAILTON JR./JC IMAGEM

Desde 2019, o Festival Trovão Azul celebra a história da Estrela Brilhante. Nesta edição, a programação presta homenagem às mulheres da agremiação e reforça a defesa da igualdade de direitos e do respeito.

O tema foi inspirado em um episódio de violência sofrido por ela durante o Carnaval deste ano, quando integrantes de outra nação a ameaçaram e a desrespeitaram após a divulgação do resultado do concurso.

“Eu fiz o festival correndo atrás de que as mulheres tenham mais direito. Onde é que está o direito das mulheres?”.

Fabiana resume o papel feminino dentro da agremiação: “As mulheres são o reinado do Estrela Brilhante”.

Programação



120 Anos do Maracatu Estrela Brilhante do Recife será celebrado no Alto José do Pinho, entre os dias 16 e 19 de julho – JAILTON JR./JC IMAGEM

No primeiro dia do festival, data original de fundação do maracatu em 1906, a sede da agremiação vai realizar queima de fogos, corte do bolo e uma confraternização entre os batuqueiros.

No dia 17 de julho, as atividades seguem com uma oficina de agbê, ministrada pela batuqueira Carol Lima, e a roda de diálogo “Ancestralidade e Protagonismo Feminino”. Encerrando o dia, será realizado o ritual religioso dedicado ao Mestre Cangaruçu, entidade espiritual que rege a percussão.

A comemoração ganha as ruas do Alto José do Pinho no sábado, 18 de julho, ocupando a rua Severino Bernardino Pereira. O palco montado recebe grupos tradicionais da cultura pernambucana como os afoxés Alafin Oyó e Oxum Pandá, além do bicentenário Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu e o Maracatu Rural Estrela de Ouro de Aliança.

O último dia de festejos será dedicado a uma sambada de coco de roda, com a estreia do grupo Coco de Cangurussu, composto por integrantes do Estrela Brilhante. O “batismo” do novo grupo ficará a cargo da coquista Mãe Beth de Oxum, Patrimônio Vivo de Pernambuco. O evento também contará com a presença do Coco Raízes do Capibaribe.

Serviço

Festival Trovão Azul – 120 anos do Maracatu Estrela Brilhante do Recife
Data: 16 a 19 de julho
Local: Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife
Gratuito

Programação completa

16 de julho – Quinta-feira

13h: Corte do bolo, queima de fogos e confraternização

17 de julho – Sexta-feira

13h: Oficina de agbê com Carol Lima
15h: Debate “Ancestralidade e Protagonismo Feminino”
Participantes: Rainha Marivalda, Paula Goiana, Mãe Lu de Ogunté, Jessika Zarina, Mércia Gadêlha e Leu Simões
18h: Gira do Mestre Cangaruçu

18 de julho – Sábado

14h: Apresentações na Rua Severino Bernardino Pereira

Grupo Percussivo Yalu – Cortejo;
Grupo Percussivo Batadoni – Cortejo;
Grupo Percussivo Batakosso – Cortejo;
Afoxé Alafin Oyó-Cortejo – Cortejo;
Maracatu Xangô Alafin – Cortejo;
Maracatu Estrela de Ouro – Cortejo;
Afoxé Oxum Pandá – Palco;
Maracastelo – Cortejo;
Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu – Cortejo;
Grupo da Favela – Palco;
Grupo da Pegada – Palco;
Maracatu Estrela Brilhante do Recife – Cortejo

19 de julho – Domingo

Sambada do Coco Cangaruçu
Convidados: Mãe Beth de Oxum e Coco Raízes do Capibaribe

Fonte: Clique aqui

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