O senador Flávio Bolsonaro (PL) comentou abertamente, nesta quarta-feira (15), sobre a relação com sua madrasta, Michelle Bolsonaro, após a publicação de vídeo da ex-primeira-dama expondo publicamente uma crise familiar.
Em entrevista ao Flow Podcast nesta quarta-feira (15), o pré-candidato à Presidência da República confirmou o distanciamento entre os dois, mas tentou minimizar o impacto eleitoral do desentendimento, adotando uma postura pragmática voltada à campanha eleitoral.
Ao ser questionado sobre o vídeo em que Michelle o acusa de tê-la silenciado nas decisões do PL e, junto com outros filhos de Bolsonaro, atacado-a coordenadamente, o senador revelou que optou por não ver a gravação para “não se contaminar”.
“Não assisti ao vídeo dela. Eu soube o teor pelo que eu estava vendo nas matérias. Eu preferi nem assistir para não me contaminar”, disse o filho de Jair Bolsonaro.
Distanciamento entre Flávio e Michelle e foco no projeto eleitoral
Flávio Bolsonaro apontou que o contato com a madrasta foi interrompido. Segundo o senador, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que o impediu de ver o pai por 90 dias afasta ainda mais as chances de contato com Michelle.
“Com toda franqueza, hoje em dia eu não tenho relação com ela, tá bom? Não tenho. Está mais agora que eu estou proibido de falar com meu pai”, declarou.
Apesar do racha confirmado, o parlamentar ressaltou que sua prioridade máxima é a missão delegada por seu pai. Ele reforçou que as divergências internas precisam ser superadas para enfrentar Lula (PT) nas urnas.
“Divergências de lado agora, acabou. (…) Eu espero que em algum momento todo mundo compreenda completamente que o inimigo do Brasil está do lado de lá, não está aqui. Essa é uma questão de bom senso, de fidelidade à escolha do nosso líder, que é o presidente Bolsonaro”.
O pré-candidato assegurou que as portas de seu projeto político continuam abertas para a madrasta, caso ela decida participar ativamente.
“Não apenas ela, todo mundo que queira se engajar na campanha de corpo e alma, porque é contra o inimigo do Brasil, que é o atual governo. Vai ser sempre bem-vindo”, ponderou.
Estranhamento com o “fogo amigo”
Questionado sobre o incômodo de enfrentar críticas vindas de dentro do seu próprio núcleo familiar, Flávio admitiu que a atitude de Michelle foi inesperada, mas evitou especular sobre as motivações.
“Algo que ninguém esperava, isso sim. Não sei falar por que ela está fazendo isso… Não sei, não tem uma lógica, não tem jogo combinado, nada disso”, pontuou, destacando que sempre manteve uma postura de consideração pelo casamento do pai. “Eu respeito muito meu pai e a esposa dele, enfim, jamais ia fazer algo que desagradasse o meu pai”, pontuou.
Para desviar o foco da crise familiar, o senador contextualizou as dificuldades enfrentadas pelo país descrevendo cenário de inflação e de endividamento das famílias brasileiras sob a gestão do PT.
“Se o Brasil fosse uma empresa, estava quebrado já. Está falido, estava em recuperação judicial, estava com intervenção”, afirmou.
Flávio concluiu enfatizando sua resiliência na atividade política, afirmando que está habituado a lidar com pressões e contrariedades em prol de um objetivo maior.
“Estou acostumado a sentar, conversar, engolir sapo para cacete. Mas faz parte, é uma pré-candidatura a Presidente da República”, finalizou, cobrando foco dos aliados para a votação que se aproxima.

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