O nível de confiança nas ações governamentais voltadas ao desenvolvimento da construção civil permanece baixo, marando apenas 5%, segundo a Abramat
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A indústria de materiais de construção começou o segundo semestre de 2026 demonstrando resiliência no mercado doméstico e estabilidade em suas operações, embora mantenha uma postura mais seletiva em relação a novos investimentos. De acordo com os dados de julho do Termômetro ABRAMAT, levantamento mensal realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, a utilização média da capacidade instalada do setor fincou pé em 75%. O índice repete o patamar de maio e supera sutilmente os 74% registrados em junho do ano passado, sinalizando uma atividade industrial sustentada em meio a um cenário macroeconômico de incertezas.
No mercado interno, que hoje se desenha como o principal pilar de sustentação do setor, o balanço do segundo trimestre foi positivo para a maior parte das empresas, com 45% delas reportando aumento no volume de vendas. Para os meses seguintes, o sentimento geral é de acomodação: 32% dos empresários projetam estabilidade e 23% estimam queda. Essa transição para um ritmo mais brando fica evidente nas projeções para o mês de julho, no qual 64% das indústrias preveem um mercado estável e 32% aguardam um desempenho positivo.
A percepção imediata sobre as condições de negócios também oscilou favoravelmente. A fatia de empresas que classificavam o momento atual como ruim recuou de 23% em maio para 18% em junho. Contudo, a predominância de avaliações regulares, que concentram 45% das respostas, indica que a recuperação gradual vista na primeira metade do ano pode estar dando lugar a um platô, sem indícios de uma arrancada forte na demanda de curto prazo. Segundo Mauro Franco, presidente executivo da Abramat, o cenário demonstra a força do consumo interno, mas ainda exige bastante atenção ao ambiente econômico global e nacional.
Essa cautela se reflete diretamente nos planos de expansão. O apetite por investimentos recuou dois pontos percentuais na comparação com maio, com 59% das empresas manifestando a intenção de aportar recursos nos próximos doze meses. Apesar da leve queda mensal, o indicador permanece significativamente acima dos 52% observados no mesmo período de 2025. Entre os empresários que pretendem investir, o foco divide-se entre a busca por eficiência e o planejamento de longo prazo: a prioridade para 32% deles é a modernização dos meios de produção, enquanto 27% miram a ampliação da capacidade instalada.
Se o cenário interno caminha de forma gradual, o comércio exterior se mostra bem mais travado. O nível de otimismo com as exportações é tímido, visto que apenas 22% das empresas esperam um aumento nas vendas internacionais para o trimestre atual. A grande maioria, correspondendo a 56% dos entrevistados, projeta estabilidade, e os 22% restantes preveem retração, evidenciando que o mercado externo ainda carece de tração para impulsionar o setor.
Outro ponto de atenção revelado pela pesquisa é o ceticismo generalizado do empresariado em relação às políticas públicas. O nível de confiança nas ações governamentais voltadas ao desenvolvimento da construção civil permanece baixo, com apenas 5% das indústrias declarando-se otimistas. O posicionamento predominante é de indiferença, compartilhada por 73% das empresas, enquanto 23% manifestam pessimismo.
Para Mauro França, os indicadores de julho desenham o retrato de um setor com capacidade de reação, mas que depende crucialmente de um horizonte econômico mais claro para destravar seu potencial total. Mauro Franco ressalta que, diante de uma recuperação que não ocorre de forma homogênea e de um mercado externo pressionado, a previsibilidade e a segurança jurídica tornam-se ferramentas fundamentais para que a resiliência atual da indústria se transforme, efetivamente, em um ciclo duradouro de crescimento.

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