Dados do Atlas da Violência mostram que a maioria das agressões domésticas a mulheres que buscam atendimento de saúde não são casos isolados
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A insegurança das mulheres no Brasil é notória. O medo estampado nas faces femininas desafia as autoridades de segurança pública, os governos e a sociedade. As denúncias são feitas, mas a coragem de prestar queixa na delegacia não é possível para todas, e algumas ainda nutrem a esperança de que o companheiro ou ex-companheiro, ou alguém da própria família, não irá repetir a brutalidade praticada sem constrangimento. Mas a verdade dolorosa é que as agressões se repetem, podendo culminar no assassinato – engrossando a lista de feminicídios que assolam o país.
De 2014 a 2024, mais de 46 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. A notificação no sistema de saúde nacional vem diminuindo, no entanto os números seguem escandalosos. De acordo com o Atlas da Violência, realização do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, das 186 mil mulheres vítimas de violência doméstica que se dirigiram para as unidades de saúde do país em busca de assistência em 2024, mais de 100 mil haviam sofrido pelo menos um episódio de violência antes. Os números compõem reportagem do Estadão Conteúdo no portal UOL.
A agressão contra as mulheres no Brasil, não aparece como caso isolado, na maioria das vezes em que ocorre. E assim como se dá em relação às denúncias nas delegacias, a notificação quantificada na rede de saúde certamente é menor do que a violência total, na realidade. Em geral, segundo o Fórum, “o agressor limita o acesso da mulher a redes de apoio – familiares, amigos e serviços – e amplia sua dependência. Nesse contexto, não é incomum que mulheres transitem reiteradamente pelos serviços de saúde após episódios de violência”. Trata-se de um círculo de humilhações e cerceamento da liberdade, dentro do qual o apoio da rede de saúde surge como fuga e relativo momento de alívio, apesar da permanência do sofrimento.
As grandes vítimas da violência letal são as mulheres negras: dois terços do total de vítimas fatais da violência contra as mulheres. O recorte da cor sempre importa, quando a vulnerabilidade é evidenciada por dados que se repetem, ou seja, que aumentam, deixando um rastro de agonia e sangue. Por isso, para serem efetivas, as políticas de segurança pública em defesa das mulheres não podem dispensar a proteção das mais vulneráveis: as negras que ficam expostas aos ataques e assédios que podem tirar suas vidas.
O cenário em Pernambuco é tão desafiador quanto o nacional. O Observatório da Segurança indicou crescimento de 16% no ano passado, com 186 mortes geradas pela violência, das quais 91 feminicídios. O combate ao machismo nas famílias e nos círculos sociais, o apoio de instituições em defesa das mulheres e a continuidade de campanhas de conscientização pela importância da denúncia dos agressores, são imprescindíveis para que esse quadro vergonhoso mude, aqui e em todo o país.
O número de emergência 180 pode ser acionado para denúncias e orientação para proteção.

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