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Flávio Bolsonaro vem buscar um palanque que Pernambuco não dá de graça

Senador desembarca no estado na quinta-feira (9) em meio a uma engenharia do PL de PE e ao dilema de Raquel Lyra, que quer os votos sem a fotografia.

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Flávio Bolsonaro (PL) deve desembarcar em Pernambuco na quinta-feira (9) com uma missão que não será divulgada como agenda principal. Mas é.

O senador vem buscar um palanque para sua candidatura presidencial num estado em que seu partido decidiu não ter candidato ao governo. A executiva estadual do PL prometeu definir sua posição oficialmente até o dia da visita, e a coincidência de datas dispensa tradução.

A resposta que Flávio ouvirá no Recife, de que o PL terá um candidato ao Senado, foi negociada em Brasília na última quarta-feira (1º), nas reuniões da cúpula pernambucana com a direção nacional. A definição é resultado de um acordo feito após uma conversa do PL estadual com o Palácio do Campos das Princesas. E foi paga em Pernambuco, na moeda mais antiga da política: participação no poder.

Moeda

O Diário Oficial de PE, na quarta-feira, mesmo dia em que aconteceu a reunião em Brasília, publicou a nomeação de 14 aliados do grupo dos irmãos Ferreira para cargos no governo estadual. Anderson Ferreira preside o PL em Pernambuco e André Ferreira (PL) comanda o principal mandato federal do grupo.

O reforço da tropa à máquina estadual, às vésperas da decisão partidária e no exato momento em que a cúpula da legenda discutia estratégia com a direção nacional, com a “ameaça” de lançar um candidato ao governo, é o tipo de movimento que os manuais chamam de sinalização e os bastidores chamam de adiantamento.

Dilema

Raquel Lyra (PSD) precisa dos votos que Flávio representa. Analistas estimam que o eleitorado antilulista pernambucano, algo entre 30% e 35% do total, já se consolidou em torno da governadora como o instrumento disponível para derrotar o candidato de Lula (PT). O problema é a fotografia. Esta atrapalha.

João Campos (PSB) trabalha para colar na adversária o selo do bolsonarismo, aposta reforçada pelo vídeo em que o presidente declarou apoio ao ex-prefeito e pela imagem dos dois assistindo juntos ao jogo do Brasil no Alvorada. Raquel Lyra quer o eleitor de Flávio sem o abraço de Flávio. Flávio quer o palanque de Raquel Lyra sem ser tratado como carga tóxica. É o abraço que nenhum dos dois pode pagar em público.

Vazio

A direita pernambucana chega a essa visita desidratada de candidaturas próprias. Anderson Ferreira negociou espaço na chapa majoritária, não teve boa conclusão e desistiu do Senado para disputar a Câmara.

Gilson Machado trocou o PL pelo Podemos e mirou o mesmo destino na Câmara Federal. O partido que se apresenta como a maior força da direita nacional terá em Pernambuco uma estratégia inteiramente proporcional, focada em eleger deputados. O que, no fim das contas, é o que dá poder financeiro às siglas.

Bastidores ouvidos pela Cena Política indicam que o desenho mais provável é um apoio informal à reeleição da governadora, sem palanque unificado e sem foto de convenção, preservando as aparências dos dois lados.

Roteiro

A visita de quinta-feira terá tudo o que uma agenda dessas costuma ter. Haverá ato com militância, encontro com lideranças, aceno ao eleitorado evangélico e declarações sobre a importância de Pernambuco para o projeto nacional. O que não haverá é palanque explícito, com governadora ao lado e santinho casado.

Em um ano de “rejeições cruzadas”, o apoio mais valioso de qualquer banda da polarização é o que não deixa vestígios. Flávio sairá do Recife com afagos, com promessas e com um acordo que só existirá enquanto ninguém precisar assiná-lo. E pronto.

Foto

A foto que haverá deve ser com o pré-candidato ao Senado, escolhido para cumprir esse papel e absorver muitos dos votos que seriam distribuídos com candidatos de centro-direita, como Miguel Coelho (União) ou Eduardo da Fonte (PP).

O escolhido deve ser Silvio Nascimento (PL), vereador de Caruaru, muito conhecido na direita bolsonarista desde quando foi presidente da Embratur durante o governo Bolsonaro. Ele é jornalista, foi apresentador de uma afiliada da Globo no interior e estava escalado para ser o candidato a governador do partido, até o PL entrar em acordo para lançá-lo senador.

Na prática, o PL de Pernambuco resolveu um problema (do palanque de Flávio), sem criar um novo problema (atrapalhando Raquel Lyra). Silvio encaixou perfeitamente nesse papel. A dúvida, agora, é quanto ele vai conseguir captar de votos bolsonaristas e quanto vai entregar a Flávio. É o que o “Zero um” deve querer ouvir quando estiver comendo bolo de rolo no dia 9.

Fonte: Clique aqui

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