Operação Initium apura esquema que incluiria empresa de fachada, servidores públicos e suspeita de manipulação de processos licitatórios
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A Polícia Civil de Pernambuco investiga um esquema de fraude em licitações e lavagem de dinheiro que teria causado um prejuízo estimado de até R$ 2,3 milhões aos cofres públicos do Recife. As informações foram divulgadas pelo delegado Júlio Pinheiro em entrevista à TV Jornal, após a coletiva de imprensa sobre a Operação Initium, deflagrada nesta terça-feira (30).
A ação apura um grupo suspeito de fraudar processos licitatórios ligados à Prefeitura do Recife, com possível participação de dois servidores da Fundação de Cultura do Recife. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Recife, Paulista e nas cidades do interior do estado Caruaru e Altinho.
Segundo o delegado, a investigação teve início em janeiro de 2025, após uma denúncia anônima. A partir das informações recebidas, a Polícia Civil realizou diligências para verificar a existência do esquema.
O grupo teria utilizado uma empresa de fachada e um “laranja” para ocultar a participação do principal investigado em um processo licitatório. “O alvo principal dessa investigação teria criado uma empresa de fachada e colocado um testa de ferro para que o nome dele permanecesse oculto. As duas empresas teriam participado do mesmo processo licitatório, fraudando o caráter competitivo”, explicou.
Movimentações financeiras levantaram suspeitas
As empresas investigadas atuavam no fornecimento de equipamentos de som para eventos. A polícia aponta que a análise das movimentações financeiras identificou transferências de valores para pessoas sem justificativa aparente e, posteriormente, repasses para dois servidores públicos.
Um deles seria responsável pela fiscalização de um pregão no qual a empresa investigada venceu a disputa. A suspeita é de que os pagamentos tenham relação com a obtenção de vantagem no processo de contratação.
“Ao longo das investigações ficou comprovado que pelo menos 4 pessoas estariam envolvidas no esquema de fraudes e licitações”, acrescenta o delegado.
Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, além de medidas como bloqueio de valores, sequestro de bens e suspensão de função pública. Os policiais apreenderam documentos, computadores e uma quantia em dinheiro.
Operação da Polícia Civil apura suspeitas de corrupção, manipulação de processos licitatórios e movimentações financeiras consideradas incompatíveis pelos investigadores – PCPE
Nesta fase da investigação, não houve cumprimento de mandados de prisão. Segundo Júlio Pinheiro, as apurações continuam para aprofundar a participação dos envolvidos e identificar outros integrantes do esquema.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura do Recife e aguarda posicionamento.

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