Início de verão no hemisfério norte chega com temperaturas elevadas e alerta de saúde, sobretudo para os efeitos em crianças e idosos
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Antes mesmo do início do verão, em maio, as nações do continente europeu sofreram com altas temperaturas, geradas por um fenômeno semelhante a uma panela de pressão, que pode estar sendo agravado pela crise climática, segundo cientistas. Medições recordes foram registradas, por exemplo, na Inglaterra, com o dia mais quente para o mês, na história, em quase 35º Celsius na capital, Londres, onde a temperatura média não passa de 20º nessa época. No Sudeste inglês, faltou água devido à procura, e um incêndio florestal assustou os arredores de Edimburgo, na Escócia. Vale dizer que, no Reino Unido, o clima quente pode ser mais que um desconforto, porque mais de 90% das residências não possuem preparação para refrigeração, por nunca ter sido necessário. As habitações no país foram feitas para um clima que não existe mais, segundo o Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido.
Vários países europeus registraram temperaturas de 10 a 15 graus Celsius mais elevadas nas últimas semanas de maio. População e turistas no sul da Espanha enfrentaram 40º C de temperatura. A falta de hábito com o calor faz com que o risco seja maior, não apenas para crianças e idosos, mas até para adultos atletas. Mortes foram registradas na França durante eventos esportivos, e as autoridades de saúde sugeriram o descuido com o calor extremo como possível causa. O alarme não vem do nada: em 2024, mais de 64 mil pessoas na Europa morreram por complicações decorrentes da alta temperatura. Os recordes de calor, em 2026, deixam até os pesquisadores apreensivos, pela aceleração dos efeitos da crise climática.
A expectativa por uma edição particularmente forte do El Niño, lança para o segundo semestre temores de severas ondas de calor, tempestades e ciclones, em várias partes do mundo. O mês de junho confirma a tendência de maio para o verão europeu: somente na França, 35 milhões de habitantes têm sido afetadas por temperaturas de até 43º C nos últimos dias, com milhares de escolas fechadas por não disporem de ar-condicionado. Muitas que são mantidas abertas recebem queixas de funcionários e professores. O mesmo problema está presente nos trens, onde o calor também é um risco para os passageiros, além de possíveis falhas decorrentes da temperatura. Assim como a habitação, o transporte sobre trilhos não foi construído para o clima quente.
Reportagem da Radio França Internacional (RFI) publicada no UOL mostra que a imprensa europeia tem cobrado os governos, nos últimos meses, por mais investimentos de prevenção à crise climática e às ondas de calor. O Le Monde mencionou em editorial a negligência política, enquanto o Liberation afirma que os governos minimizam a gravidade da situação, sobretudo para as parcelas mais vulneráveis da população. A preocupação com o clima tem se expandido na Europa, mas não deve se restringir ao Velho Continente. As mudanças climáticas promovem efeitos de transtorno e desordem em todo o planeta, inclusive no Brasil, exigindo posturas responsáveis e atitudes rápidas de gestores públicos de todos os níveis de governo, para que tragédias não passem a integrar a rotina das previsões meteorológicas.

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