Estação festiva que se prolonga no mês de junho ativa as produções e manifestações locais, atrai visitantes e movimenta a economia no estado
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Época de sincronia entre a religiosidade e o festejo, com a demonstração simultânea de rituais de fé e arroubos de alegria, o período junino se consolidou, em várias partes do Nordeste, como um vetor de dinamismo da economia. Sobretudo, para o proveito dos municípios, que buscam a plenitude dos potenciais de junho, explorando as vocações locais para atrair o maior número possível de visitantes, oriundos de outras cidades do estado e até de regiões mais distantes do país. Em Pernambuco, não é diferente, em especial no Agreste, tendo Caruaru como principal polo de um dinamismo que vem se espalhando, nos últimos anos, para lugares como Bezerros e Gravatá.
A prefeita de Bezerros, Lucielle Laurentino, e o de Gravatá, Padre Joselito, foram entrevistados pela Rádio Jornal esta semana, e falaram a respeito desse dinamismo ampliado no clima junino. O realce das tradições e da cultura popular se atrela às programações oficiais, que apostam em investimentos capazes de atrair grande público, e de gerar, em contrapartida, benefícios econômicos para a população e os municípios. Com a praça de eventos ampliada, Bezerros se apresenta como alternativa para quem gosta da festa, levando nomes de peso como Santana, Jorge de Altinho e Geraldinho Lins a uma área de 5 mil metros quadrados que, além do palco, dispõe de espaço infantil, quiosques comerciais e pontos de alimentação. O destaque é Serra Negra, de topografia privilegiada, e o tema da festa é “Daqui do alto, tudo é mais bonito”. O investimento é de R$ 6 milhões, sendo 80% da prefeitura.
Com agenda especial desde maio, Gravatá se preparou para receber este ano dois milhões de visitantes, no embalo do São João. O polo moveleiro se transforma em cenário de eventos, e a programação se estende por diversos locais da cidade, como o Mercado Cultural e o Alto do Cruzeiro. A fim de estimular a força de atratividade do município, já conhecida como residência de fim de semana, nos meses de férias e na Semana Santa, o tema escolhido para as festividades juninas de 2026 é “Todo mundo vem”. A expectativa da prefeitura é a movimentação de R$ 300 milhões na economia local, e a geração de seis mil postos de trabalho, com investimento de R$ 4 milhões pelo poder público.
As duas cidades, próximas no mapa e na rota de turismo estadual, são exemplos da propagação de benefícios a partir do calendário cultural. Para receber bem os turistas, a estrutura de apoio, hotelaria, gastronomia, serviços diversos e acessos viários precisa ganhar aportes públicos e privados que retornam, mais tarde, para a coletividade. E as melhorias permanecem para o uso da população. A expansão das festas juninas surge como um segundo Carnaval, e até maior do que o impacto carnavalesco, no interior nordestino, também em Pernambuco. No caminho inverso, o São João se fortalece nas capitais, inclusive no Recife, com a montagem de polos que juntam milhares de pessoas, como o Sítio da Trindade, em Casa Amarela.

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