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Apesar das divergências, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho estão obrigados a ficar juntos na eleição deste ano

Tudo estaria bem se os dois líderes não tivessem decidido se candidatar ao mesmo cargo, o de senador, gerando uma dor de cabeça para a governadora

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Criadas para representar mais de um partido político, Federações Partidárias, como a Brasil da Esperança que une PT/PV e PCdoB já participaram do processo político em Pernambuco mas nunca causaram problema. Já a Federação União Progressista criada este ano, reunindo PP e União Brasil, já nasceu dividida no estado tendo, de um lado, o deputado federal Eduardo da Fonte, do PP, que virou presidente estadual do colegiado, conforme deliberado pelo estatuto nacional, e do outro o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, do União Brasil, designado vice-presidente estadual em decisão tomada pela direção nacional no último dia 11 de maio.

Embora nunca tivessem atuado juntos, Eduardo e Miguel conseguiram se entender e definiram os nomes dos membros da Executiva Estadual que, obedecendo ao estatuto da Federação, terminou composta por cinco membros do PP e dois do União Brasil, uma vez que o PP teve na eleição de 2022 mais votos do que o União no estado, ganhando não só a presidência estadual como uma maioria folgada na direção pernambucana. Tudo estaria bem se os dois líderes não tivessem decidido se candidatar ao mesmo cargo, o de senador, gerando uma dor de cabeça para a governadora Raquel Lyra que é apoiada pelos dois partidos.

Até agora não se tem a menor ideia de qual dos dois vai vencer essa briga mas uma coisa já está certa, conforme o Estatuto da Federação a que este blog teve acesso: como dirigentes dos seus partidos, Miguel e Eduardo se obrigam a estar no mesmo palanque nos próximos quatro anos – tempo mínimo de duração do colegiado – a não ser que mudem de legenda, e a obedecerem ao que for estabelecido pela maioria dos votos da Executiva Estadual na qual o PP é majoritário.

Eduardo, por conta disso, já se considera vencedor da reunião que vai ser realizada após o São João mas Miguel Coelho ainda conta com um álibi. O mesmo estatuto é muito claro quando afirma: “se forem divergentes as deliberações tomadas pela Direção Estadual, elas deverão ser submetidas ao crivo da Direção Nacional para fim de confirmação”. Outro item, no entanto, estabelece que esta confirmação precisa ser feita pelos presidente e vice-presidente nacionais que são Antonio Rueda, do União e Ciro Nogueira, do PP. Basta um não assinar e a decisão da estadual pode voar pelos ares mas o PP acha que, como é majoritário, ganha a peleja num piscar de olhos.

Raquel sugere entendimento

Em conversa recente com o deputado federal Eduardo da Fonte que lhe comunicou sua decisão de se candidatar ao Senado, a governadora Raquel Lyra o aconselhou a se entender com Miguel Coelho. Assessores dela informaram a este blog que cabe à Federação uma solução para o problema que foge da alçada do Palácio do Campo das Princesas. Enquanto isso a indefinição permanece. Só após a reunião da Executiva vai se saber se, saindo perdedor, Miguel Coelho, vai recorrer à nacional ou mesmo judicializar a questão. A ver.

A disputa por obras

É natural na época de eleições os deputados festejarem obras e ações dos governadores em seus municípios informando terem sido reivindicadas pelos mesmos. Este ano, no entanto, como a governadora Raquel Lyra está conseguindo juntar em Araripina os dois lados do espectro político esta semana a deputada estadual Socorro Pimentel, que é candidata a federal, e seu esposo o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel, candidato a estadual, comemoraram a decisão da governadora de pavimentar a estrada que liga Araripina a Salitre. O mesmo fez a ex-deputada Roberta Arraes, do PP, adversária dos dois, também de Araripina, e que faz parte da base de Raquel.

Felipe Carreras e obra de Raquel

Já o deputado federal Felipe Carreras, do PSB, foi obrigado a ouvir rasgados elogios do prefeito de Orocó, Ismael Bione Lira, à governadora Raquel Lyra agradecendo a pavimentação da estrada que liga a sede do município ao Projeto Brígida. Outro que também elogiou a governadora foi o deputado estadual Aglaison Victor, do PSD, apoiado pelo prefeito que vota para federal em Felipe Carreras. O socialista em sua fala não citou Raquel preferindo enaltecer o prefeito pela capacidade de articulação.

Pergunta que não quer calar

Eduardo da Fonte e Miguel Coelho vão conseguir se entender sobre o Senado como exige a Federação à qual pertencem?

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