Em um cenário onde a atenção pode durar segundos, a confiança se tornou a moeda mais valiosa. Entenda como marcas se tornam referências estáveis
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Na era em que a atenção está cada vez mais curta, o desafio vai além de tornar uma marca forte: é também torná-la perene. Muitas marcas apostam na presença digital, especialmente através de anúncios nas redes sociais. Contudo, esse investimento pode não ser suficiente, de acordo com o analista de Marketing Thyago Sousa.
“Hoje, aparecer muito sem estratégia pode até gerar reconhecimento momentâneo, mas não construção de marca. Ser lembrado de verdade passa muito mais por relevância, consistência e conexão emocional do que apenas frequência. Na era dos vídeos curtos, a atenção passa a ser mais disputada. As marcas que conseguem mostrar presença são aquelas que têm posicionamento claro, identidade forte e entregam experiências coerentes em todos os pontos de contato. Às vezes, uma campanha bem construída vale mais do que dezenas de posts publicados sem intenção. O público sempre vai lembrar daquilo que faz sentido para ele”, explica.
O analista alerta para a linha tênue entre presença e excesso: “Quando a marca começa a aparecer sem agregar valor, repetindo formatos, tendências ou discursos genéricos, ela vira apenas mais um conteúdo no feed. O excesso começa a gerar rejeição quando o público sente que está sendo impactado o tempo inteiro sem troca real. Hoje, as pessoas não querem apenas consumir propaganda, elas querem identificação, utilidade ou entretenimento”. Ele ressalta que marcas que entendem isso conseguem construir desejo sem parecer invasivas.
O analista de Marketing Thyago Sousa afirma que investir na presença online e offline pode ser uma estratégia assertiva – Renato Ramos/JC Imagem
Thyago ressalta, ainda, que a decisão de algumas empresas de investirem não apenas na presença online, mas também na offline se deve ao cansaço provocado pelo excesso de telas e da superficialidade das relações digitais. “O offline voltou a ter muito valor justamente por proporcionar experiência, presença e memória afetiva. Quando uma marca participa da vida real das pessoas, ela deixa de ser apenas um anúncio e passa a fazer parte de um contexto emocional. Experiência gera memória. O digital entrega alcance, mas o offline entrega sensação. Quando uma pessoa vive uma experiência presencial, ela cria uma conexão muito mais difícil de ser esquecida”, detalha.
O analista afirma que patrocinar uma corrida, um evento cultural ou uma experiência local cria conexões mais profundas. “Investir no offline pode ser uma estratégia muito forte para tornar a marca mais perene, principalmente quando existe integração com o digital. Não se tratando de uma disputa entre online e offline, mas sim de uma construção conjunta de presença e relacionamento”, complementa.
Ele também destaca o papel do Community Manager (Gestor de Comunidade), responsável por construir, gerenciar e nutrir o relacionamento entre uma marca e seu público, criando uma comunidade engajada. “É uma função extremamente estratégica porque as pessoas querem se sentir ouvidas, não apenas impactadas por campanhas. A construção de comunidade virou um diferencial competitivo. Mais do que responder comentários, esse profissional ajuda a criar proximidade, entender comportamento e transformar seguidores em defensores da marca. E isso exige autenticidade. As marcas que mais se destacam são as que conseguem conversar como pessoas, criar senso de pertencimento e manter coerência no relacionamento com o público.”
Para Thyago, pesquisas como o JC Recall de Marcas funcionam como termômetros para a reputação dos nomes mais lembrados, atestando a eficácia das estratégias de Marketing e a qualidade do produto, serviço ou experiência.
Colhendo frutos
Adriano Oliveira, sócio-fundador da empresa Cenário Inteligência, responsável pela pesquisa JC Recall de Marcas, afirma que o levantamento realizado com 600 pessoas do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes é um reflexo do afeto do público, embora não busque compreender as razões desse sentimento.
Adriano Oliveira, sócio-fundador da empresa Cenário Inteligência, destaca os fatores emocionais e econômicos como motivadores para determinar marcas preferidas – Jailton Jr./JC Imagem
“Afinal, quando alguém lembra de uma marca, é porque sente algo em relação a ela. Existe também o aspecto econômico, isto é: o produto está dentro do orçamento mensal do consumidor. Portanto, o afeto e o fator econômico motivam as escolhas dos consumidores”, acrescenta.
Em 2026, o JC Recall de Marcas chega à sua 27ª edição atestando o sucesso das estratégias das empresas que garantem um lugar na memória afetiva e na casa dos pernambucanos.

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