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Status do crime no Brasil

Classificação de facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos de Trump gera dúvidas e preocupações, enquanto o foco poderia ser outro

Por

JC


Publicado em 31/05/2026 às 0:00

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A decisão da Casa Branca de rotular o PCC e o Comando Vermelho, do Brasil, como grupos terroristas, não deve ser caracterizada como ação de mero viés político visando a influência nas eleições presidenciais de outubro – embora seja uma leitura possível, até pelo momento do anúncio, logo após a visita do candidato Flávio Bolsonaro ao gabinete de Donald Trump. A designação tanto pode guardar motivações mais abrangentes, como a nova doutrina declarada para a América Latina, quanto esconder objetivos ainda não discerníveis, relacionados ao estilo errático do atual governo do presidente dos Estados Unidos.
O lado mais lamentável da polêmica não se resume à questão do risco à soberania brasileira, mesmo que o risco seja concreto, levando-se em conta as recentes investidas norte-americanas em outros países. O modo como o assunto é tratado por Washington e por Brasília, sim, é de se lamentar. Enquanto sobrarem equívocos na comunicação entre os dois presidentes e suas equipes, a tendência é a continuação do atropelo da sensatez pela disputa dos discursos – e esse caminho só favorece o crime organizado, que agradece pela arenga institucional em seu proveito, provavelmente tomando providências para aprofundar seus tentáculos nas instituições, e sugar ainda mais da riqueza verde-amarela, valendo-se até de movimentos suspeitos no mercado financeiro.
O melhor dos mundos seria o encontro de propósitos para o combate ao crime organizado, chamado de terrorista ou não. A realidade demonstra que o Brasil precisa, sim, de toda ajuda disponível para coibir, identificar e punir os bandidos que se originam no tráfico de drogas, mas atuam em setores formais da economia, utilizando-se de empresas de fachada, como comprovado em São Paulo. A exemplo da cooperação que pode ser vista na pesquisa científica e no desenvolvimento de conhecimento aplicado em tecnologias de ponta, soluções testadas e bem-sucedidas em outras partes do planeta poderiam ser adotadas por aqui, com o apoio de entidades públicas e privadas estrangeiras. Aceitar apoio não é vergonha, e sim, o reconhecimento de que a comunidade global pode se ajudar em qualquer aspecto da vida coletiva, sem abdicar do respeito à legalidade e aos valores democráticos, ressaltando a força da solidariedade e a experiência dos povos.
Mas não estamos no melhor dos mundos. E nos deparamos com Trump lá e Lula cá, a poucos meses de mais uma eleição polarizada, na qual o presidente dos EUA aparece como fiador de uma candidatura oposicionista, ao mesmo tempo em que se derrama em elogios ao atual mandatário brasileiro. O status do crime no nosso país deveria ser simples de ver: são bandidos organizados que atormentam a população, alimentam a corrupção, perpetuam a desigualdade e empacam o desenvolvimento. Se a classificação como terrorista servir para aperfeiçoar o combate ao crime, os brasileiros não têm por que se preocupar. Mas se for justificativa para permitir outros tipos de crimes, afrontando a legislação internacional, a serem cometidos pelo governo de um outro país, o problema será ainda maior, ampliando o poder da bandidagem.

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