Ameaça efetiva é para as empresas brasileiras que podem ser sancionadas apenas por terem uma denúncia sem julgamento numa vara da justiça no Brasil.
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A decisão dos Estados Unidos em classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas certamente não decorreu da presença do senador Flávio Bolsonaro (PL) em Washington e do seu encontro com o secretário de Estado Marco Rúbio que – talvez por afinidade – lhe tenha dito que haveria fatos novos.
Mas é importante não esquecer que ao menos o PCC foi incluído numa lista do governo americano para sanções financeiras em razão da associação ao narcotráfico no dia 15 de dezembro de 2021 quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos o relacionou no grupo de 25 organizações sujeitas a sanções financeiras em razão da associação ao narcotráfico. Pode-se dizer que foi o reconhecimento global da organização num ato assinado pelo presidente dos EUA, Joe Biden.
Risco de ações
Entretanto, não devemos imaginar uma eventual ação da CIA ou de agente do Pentágono em território brasileiro, embora tecnicamente isso possa acontecer como advertem analistas, lembrando que a designação abre brecha para que agentes americanos, sejam membros das Forças Armadas ou de órgãos de Inteligência como a CIA, possam atuar no Brasil sob o pretexto de combater diretamente as quadrilhas agora tidas como terroristas.
Pode acontecer. Entretanto, sempre é bom ver o lado do negócio do PCC e do CV para entender que o interesse dos americanos não é nos pacotes de cocaína que possam chegar a portos e aeroportos dos Estados Unidos. O foco dessa medida é no volume de dinheiro que os dois grupos possam movimentar de modo que possa ser rastreado e identificado o destino de dólares e pedras preciosas e de criptomoedas e armas exportadas para o Brasil.
ReproduçãoInstagram@flaviobolsonaro. – Divulgação
Importamos armas
Sim. Os PCC e o CV compram preferencialmente mais armas de fabricantes americanos que proporcionalmente se movimentam em droga física até porque os Estados Unidos não estão entre os cinco países para onde mais são despachados pacotes prensados.
E embora como afirmam 10 entre 10 estudiosos do tema não traga nenhuma solução concreta para lidar com as facções, embora se abra a possibilidade de uma interferência unilateral dos Estados Unidos em território brasileiro, é preciso olhar não apenas para a questão da soberania nacional, mas para o risco disso em relação a ativos financeiros.
Punição na denúncia
O que realmente nos deve preocupar é com a possibilidade de numa investigação preliminar no Brasil após uma denúncia de um promotor público se formalizar uma acusação de movimentação de recursos de uma empresa brasileira com uma instituição internacional (num contrato de exportação de mercadorias, por exemplo) que tenha feito uma transação de um acusado de ligação com uma dessas organizações.
Não é só isso, o sistema financeiro internacional está todo digitalizado e criptografado. Uma operação de uma pessoa relacionada ainda que não condenada em definitivo no Brasil pode repercutir nos ativos de uma empresa brasileira nas suas operações não apenas nos Estados Unidos como em qualquer outro país que seja membro do SWIFT, a rede global de mensagens que conecta mais de 11.000 instituições em mais de 200 países para facilitar transferências e operações de câmbio internacional.
Na Casa Branca, Lula e Trump discutem combate ao crime organizado – Divulgação
Um único correntista
Da mesma forma que bancos brasileiros com operações globais passam a ser rastreados se um de seus correntistas em algum lugar de suas operações tiver um contato com um CPF no nosso sistema de controle financeiro, pode ser identificado. Os Estados Unidos não vão esperar um esclarecimento. Uma vez rastreado, o banco estará listado e com operações sujeitas a impedimentos.
O governo brasileiro conseguiu passar a ideia de que essa é uma invasão da nossa soberania. Isso está claro nas vezes que se manifestaram. E elas vão continuar deixando isolados apenas Flávio Bolsonaro e seus apoiadores radicais.
Sem microações
Mas essa não é a questão central. Não há rigorosamente nenhum interesse dos Estados Unidos em atuar na ponta combatendo as exportações que essas duas organizações fazem nos milhares de pontos que possam ter em países da África, da Europa e na Ásia.
Não faz parte da CIA ou do Pentágono colocar seu agente no varejo. A questão é o fluxo financeiro. E é sobre isso que o governo Lula terá que cuidar num cenário que até agora era de cooperação com o FBI e outras agências. Porém, essa não é mais uma questão operacional.
Politica de Estado
O tema subiu por uma decisão clara do governo Trump de politizar a questão. E ao menos por enquanto não podemos ter expectativas de algum entendimento. Isso foi o caminho em vários países da América Latina desde 20 de janeiro de 2025 com a segunda posse de Donald Trump.
Visto EB5 para quem vai investir US$ 800 mil nos Estados Unidos. – Divulgação
Visto americano
O governo Donald Trump está encerrando no próximo dia 30 de setembro o programa EB-5 considerado uma das melhores alternativas para obtenção do Green Card americano através de investimento. Diferente de modelos de “Golden Visa” existentes em alguns países, no EB-5 o investimento é direcionado para projetos privados que podem gerar retorno financeiro ao investidor e contribuem para a geração de centenas de milhares de empregos nos Estados Unidos. O investimento mínimo para obter o EB-5 é de US$ 800.000 para projetos localizados em Áreas de Emprego Alvo.
BRB é de Ibanês
Todos concordam que o acordo firmado entre Governo do Distrito Federal (GDF), União, Banco Central, FGC, bancos públicos e privados coordenado pelo Supremo Tribunal Federal por uma operação de até R$ 6,5 bilhões ao Banco de Brasília (BRB) expõe fragilidades sobre os bastidores da estabilidade financeira no Brasil. E foi. Mas o que foi definitivo foi o risco de com uma liquidação extrajudicial o problema sair do colo da governadora Celina Leão para o colo de Lula. Como o acordo, o acusado agora é Vorcaro e Ibanês Rocha cuja candidatura ao Senado subiu o telhado.
Fábrica da Toyota
A Toyota do Brasil oficializa o plano de inauguração de sua segunda fábrica em Sorocaba (SP), prevista para o início de novembro de 2026, consolidando o município como o principal polo industrial da companhia no país e um dos mais relevantes da indústria automotiva nacional. A nova unidade da Toyota que concentra produção do Corolla Sedan para Sorocaba e integra o ciclo de investimentos de R$ 11 bilhões da Toyota no Brasil até 2030.
Fábrica da Toyota em Sorocaba, São Paulo. – Divulgação
Biometria bovina
A biometria bovina começa no Brasil com a chegada da ID-Scan, tecnologia desenvolvida na África do Sul e representada no País pela DX – Data Experience, empresa com sede no DF que abriu escritório no Recife. A solução que funciona por aplicativo de celular utiliza a impressão nasal do animal como identidade digital única e inviolável, ampliando a rastreabilidade do rebanho.

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