Falta de prevenção adequada e de investimentos para garantir a segurança da população, expõem cada vez mais os brasileiros aos riscos climáticos
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Se no Recife e demais cidades da Região Metropolitana, bem como em municípios do interior pernambucano, a previsão de chuvas mais fortes acelera a precipitação do estresse, por causa de histórias de mortes, destruição e desamparo, o cenário não é diferente na maior parte do país. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), nos últimos 13 anos, somente em 5% das cidades a população não experimentou o drama – muitas vezes o horror – dos desastres gerados por fenômenos climáticos, especialmente em decorrência de tempestades e enxurradas, ou da seca. A água que cai do céu deixa de ser uma dádiva, para se tornar um tormento no Brasil, e não é por falta de previsibilidade. Mas talvez falte prevenção.
Foram mais de 3 mil mortes desde 2013, por essa motivação. A decretação de emergência nos lugares em que acontecem as tragédias, pode agilizar as providências de reparos e cuidados básicos para aqueles que estão paralisados de sofrimento. Mas é preciso que a cultura da prevenção seja mais ativa na gestão pública brasileira, para que as consequências do clima severo não pareçam, quase sempre, consequências da omissão dos governantes que abandonam tanta gente em situação de risco, fazendo o desamparo chamar o infortúnio.
Os números incluem os desastres causados pela ação humana, como o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. O que a pesquisa indica é a lamentável constatação de que a emergência decretada não afasta os riscos de que os desastres se repitam. A vulnerabilidade continua a mesma, anos após o ocorrido na maioria das cidades. Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o que assusta mais é a falta de prevenção no Brasil. “É a falta de uma harmonia cooperativa entre União, Estado e município, chamando a população também para se organizar, porque isso é uma questão que não é de um ente, é de todos”, afirmou, em depoimento ao portal G1.
O volume de recursos financeiros em socorro às populações atingidas e para reconstruir o que foi arruinado pelo clima ou pela força da natureza atiçada pela mão humana, segue sendo muitas vezes maior que o aplicado para prevenir e garantir segurança ambiental às pessoas e à vida como um todo, para todas as espécies animais e vegetais. Trata-se de uma forma calamitosa de desperdício do dinheiro público, ao manter a vulnerabilidade exposta, apesar de se saber, com antecedência às vezes de um ano, ou mais, que os fenômenos naturais podem atingir determinada localidade com intensidade mortal.
O que se espera dos governos, em todos os níveis, é consenso na decisão, e harmonia na execução de programas e obras capazes de impedir que a vulnerabilidade permaneça em tantos lugares ao mesmo tempo. Os cientistas avisam enfaticamente que o caminho, daqui para frente, será propenso a fenômenos intensos. O mínimo que se espera do poder público é apurar a escuta, aprender com os erros e investir em medidas preventivas, para o alívio de quem não suporta a perpetuação do risco.

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