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A governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou, nesta quinta-feira (21), que a retomada da Transnordestina recoloca Pernambuco em posição estratégica na logística nacional e pode transformar o Estado em um dos principais corredores de escoamento de cargas do Nordeste.
Durante coletiva no Palácio do Campo das Princesas, após anúncio de investimentos na área hídrica, a governadora disse que o contrato para o início das novas obras da ferrovia já está pronto para assinatura pelo governo federal.
Segundo ela, a primeira etapa envolve uma obra de 73 quilômetros, com investimento estimado em R$ 250 milhões.
“É uma conquista emblemática para Pernambuco. Um fator que vai nos garantir, de maneira estratégica, nos posicionarmos como polo logístico do Nordeste do Brasil”, afirmou.
A declaração ocorre poucos dias após o Tribunal de Contas da União (TCU) barrar novos investimentos federais no trecho pernambucano da Transnordestina, decisão que provocou forte reação política e institucional no Estado.
Na coletiva, Raquel afirmou que o governo federal garantiu a retomada da obra a partir de Custódia, no Sertão, mantendo a ligação ferroviária até o Porto de Suape.
A governadora citou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e o atual ministro, George Santoro, como integrantes da articulação que permitiu o avanço do projeto.
“Eu sempre disse ao presidente da República que, se o braço de Pecém fosse feito e o de Suape não, nós seríamos apenas uma página registrada no passado de um Estado que foi muito grande e forte, mas que sem infraestrutura logística não conseguiria avançar”, declarou.
Interesse internacional
Na entrevista, Raquel Lyra também afirmou que empresas estrangeiras e fundos internacionais já demonstraram interesse na retomada da Transnordestina em Pernambuco.
Segundo ela, além da empresa portuguesa vencedora da licitação inicial, grupos chineses, fundos árabes e até a Petrobras acompanham o avanço do projeto por interesse estratégico em logística e escoamento de produção.
“A gente tem empresas chinesas, fundos árabes, a própria Petrobras, que tem todo o interesse em garantir logística para escoamento de sua produção com eficiência”, afirmou.
A governadora disse ainda que a retomada da obra muda a percepção do mercado sobre a viabilidade da ferrovia.
“O leque se abre quando se tira o problema da frente e se coloca a obra como estratégica para o desenvolvimento do Nordeste, de Pernambuco e do Brasil”, declarou.
Conexão com a Ferrovia Norte-Sul
Durante a coletiva, Raquel Lyra também destacou o potencial da Transnordestina para conectar Pernambuco à Ferrovia Norte-Sul e ampliar a competitividade do Porto de Suape.
Segundo ela, a ferrovia permitirá integrar Pernambuco ao escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste e da fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.
A governadora citou o caso de Petrolina, que atualmente utiliza portos de outros estados nordestinos para exportação.
“Petrolina hoje exporta pelos portos da Bahia e do Ceará. Com a Transnordestina, isso poderá ser feito por Suape”, afirmou.
Raquel também disse que a obra já possui licenciamento ambiental para todo o trecho previsto em Pernambuco e afirmou que a retomada ocorreu a partir do ponto onde a construção havia sido interrompida anteriormente.
“Precisava ser retomada de onde ela parou”, declarou.
Agendas no Sertão e articulação visando eleições
As declarações de Raquel Lyra também reforçam o esforço da governadora para associar a retomada da Transnordestina à articulação construída por Pernambuco junto ao governo federal nos últimos dois anos, num momento em que ela amplia movimentações políticas mirando a disputa pela reeleição em 2026.
Na coletiva desta quinta-feira, a governadora destacou que tratava a ferrovia como uma das principais agendas estratégicas do Estado em Brasília, intensificando reuniões com ministros e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da manutenção do trecho até Suape.
A governadora voltou a destacar a interlocução direta com o Palácio do Planalto e afirmou que as negociações ocorreram de maneira “sistemática” até a consolidação da retomada das obras.
A fala ocorre às vésperas de uma nova rodada de agendas no Sertão pernambucano, região diretamente impactada pela Transnordestina e considerada estratégica para o cenário eleitoral de 2026.
Nesta sexta-feira (22), Raquel inicia as agendas em Araripina, depois passando por Trindade, Ouricuri e Dormentes, com anúncios de obras hídricas, entregas de equipamentos públicos e investimentos em infraestrutura. Nos dias seguintes, a governadora deverá visitar Salgueiro, Serra Talhada e Petrolina.
Entre os compromissos previstos está a autorização para o início das obras da Adutora de Negreiros, em Araripina, projeto estimado em R$ 300 milhões e voltado ao abastecimento de municípios do Sertão do Araripe.
A governadora também participará da inauguração de Centros de Referência da Mulher, entrega de ônibus escolares, autorização para construção de creche, entrega de mamógrafo e requalificação de equipamentos públicos.
Nos bastidores, auxiliares do governo avaliam que a retomada da Transnordestina tem potencial para se transformar em uma das principais vitrines administrativas e políticas da gestão no interior do Estado, sobretudo pela capacidade de mobilização econômica em regiões do Sertão.

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