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Polícia Federal rejeita proposta de delação de Daniel Vorcaro

Na visão dos agentes, o empresário não forneceu elementos inéditos que justificassem o benefício, limitando-se a apresentar dados já conhecidos

Por

JC


Publicado em 21/05/2026 às 0:42

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A Polícia Federal (PF) optou por recusar a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Na visão dos agentes, o empresário não forneceu elementos inéditos que justificassem o benefício, limitando-se a apresentar dados que já estavam em posse das autoridades.

Além da insuficiência de informações, os investigadores constataram falta de colaboração plena. Fontes ligadas à apuração apontam que Vorcaro deixou de confessar nos documentos da delação fatos que já haviam sido extraídos de seus próprios celulares, apreendidos em etapas anteriores da operação Compliance Zero.

A PF também concluiu que o ex-banqueiro feriu as premissas de boa-fé do acordo ao tentar justificar seus atos, quando a regra da colaboração exige a admissão inconteste dos crimes cometidos.

Com a via policial bloqueada, a estratégia da defesa agora é tentar firmar o acordo diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No entanto, agentes que acompanham as tratativas consideram a investida de difícil sucesso, já que a PGR teria que chancelar os mesmos termos barrados pela PF, e o processo ainda precisaria da aprovação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

No âmbito financeiro, há um forte entrave entre as partes. Vorcaro, apontado como o líder das fraudes, propôs devolver cerca de R$ 40 bilhões em 10 anos, mas a PF e a PGR cobram o ressarcimento de R$ 60 bilhões em um período menor.

O rombo provocado pela derrocada do Banco Master já é estimado em mais de R$ 57 bilhões. Desse montante, calcula-se que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) precise desembolsar R$ 51,8 bilhões para reembolsar clientes lesados.

Atualmente, o ex-banqueiro encontra-se detido na Superintendência da PF em Brasília, local onde negociava a colaboração desde 19 de março.

Recentemente, ele foi transferido para uma cela comum, perdendo o acesso ao espaço diferenciado que anteriormente abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O histórico de detenções de Vorcaro inclui uma prisão em novembro de 2025 ao tentar embarcar em um voo internacional — sob a justificativa de captar investidores —, e outra captura em março, durante os desdobramentos da operação Compliance Zero.

A recusa do acordo não freou o ritmo das investigações, que passaram a mirar também a família do ex-banqueiro e o núcleo político. Em meados de maio, a PF prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel, em Belo Horizonte.

Ele é suspeito de integrar “A Turma”, um grupo supostamente utilizado pelo empresário para promover invasões cibernéticas e ameaçar adversários.

Poucos dias antes, o primo do executivo, Felipe Vorcaro, também foi detido. Ele é investigado por suspeita de repassar quantias mensais que variaram de R$ 300mil a R$ 500 mil, além de financiar voos particulares para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

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