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O governo lançou, nesta terça-feira (12), o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, apresentado como nova estratégia nacional para desarticular as estruturas econômicas, operacionais e territoriais que sustentam as organizações criminosas. A proposta é articular investimentos diretos de R$ 1,06 bilhão ainda em 2026 para ações de inteligência e a ação coordenada entre União, estados e municípios.
Operacionalmente, o programa foi estruturado em quatro eixos estratégicos divididos em asfixia financeira das organizações criminosas; fortalecimento da segurança no sistema prisional; qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e combate ao tráfico de armas.Também foi anunciada uma linha de crédito específica para a segurança pública, no valor de R$ 10 bilhões.
Mais um plano
É uma iniciativa positiva, embora seja a 10ª que o governo central anuncia em 10 anos e seja apresentada a 140 dias da eleição, o que automaticamente prega na proposta a marca de ação mirando a eleição de 4 de outubro. E é mesmo porque todos os presentes sabem que esse tipo de empreendimento leva tempo para que os atores (estado e municípios) se habilitem ao (pouco) dinheiro do orçamento e mais ainda aos empréstimos no BNDES. Quem foi muito competente só deve sacar a verba em no mínimo seis meses.
Mas o problema do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, apesar dos discursos elaborados, é que ele, de novo, trata o que é atacado como varejo e o que é varejo sem considerar que é a milha final do atacado. O governo parece não ter entendido que o que chama de Crime Organizado no Brasil virou marketplace.
Franquia do crime
Como dizem os especialistas, os marketplaces não são os donos da maioria dos produtos que vendem. Eles funcionam como grandes “shoppings virtuais” abastecidos por milhares de parceiros vendedores, conhecidos como sellers (varejistas, fabricantes, distribuidores e pequenos empreendedores). E organizações como o PCC e o CV, infelizmente, evoluíram para se tornar o marketplace do crime internacional.
Curiosamente, o governo não lembrou na solenidade do Brasil que, segundo o Mapa das Organizações Criminosas 2024 do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pelo menos 88 Orcrims estão no sistema prisional brasileiro, classificando-as em quatro estágios (iniciais, locais, regionais e nacionais) e quatro níveis de impacto (alto, médio, menor e baixo), considerando fugas, resgates, rebeliões, atentados e enfrentamento ao Estado.
Lula da Silva, durante Lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado – SEAUD/PR
Controle à distância
Um exemplo desse novo negócio que se chama Crime Organizado no Brasil foi apresentado neste domingo (9), mostrando um traficante organizado numa favela do Rio de Janeiro comandando uma facção criminosa em Cabedelo (PB).
A “organização criminosa” faz parte do grupo de 46 franquias do Nordeste. No Norte seriam 14, no Centro-Oeste 10, no Sul 24 e 18 no Sudeste, onde estão as “sedes” do PCC e do CV. E o mais importante, o controle do negócio está integralmente dentro dos presídios.
Franquia local
De certa forma, podemos dizer que temos uma distribuição de franquias que soma 72 grupos atuando localmente,14 regionalmente e dois (CV e PCC) de atuação nacional. Mas o fato novo é como os grupos locais perceberam que é melhor ser “franqueado” de uma facção nacional do que disputar espaço isoladamente. E isso mudou o conceito de atuação.
O Mapa propõe ações de enfrentamento começando pela melhoria da infraestrutura das prisões, isolamento das lideranças com controle (de fato) das principais penitenciárias, controle efetivo de visitação,retirada de celulares e ações de inteligência penitenciária. Tudo isso custa caro e é bom ter presente que o valor de R$ 1,08 bilhão não dá para fazer tudo, muito menos nas 138 unidades que o programa prevê.
Nos presídios
O programa fala da asfixia financeira das organizações criminosas. É uma enorme pretensão, mas se for iniciado, já será alguma coisa. Se a partir das prisões se conseguisse fazer análises de celulares apreendidos pelos encarcerados e dos que ainda estão fora, se avançaria muito.
Adotando o conceito de combate à lavagem de dinheiro no sistema como regra central, pode-se começar a ter uma nova visão do que está acontecendo de fato, com identificação de lideranças, parentes e cadeia de comando; teremos alguma chance.
tempo e dinheiro
O desafio, como se vê, não é simples, não é rá
Guarda Municipal de Manaus – Divulgacao
pido e não vai custar barato. Se for enfrentado com estratégia de eliminação de concorrência financeira. É o Estado contra o crime preocupando um espaço de mercado. Porque o crime é um negócio e a polícia é o risco.
Segurança municipal
Os gastos dos municípios com segurança pública cresceram 66% na última década, revela
Um estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que os gastos dos municípios com segurança pública cresceram 66% em uma década. Passaram de R$ 7,5 bilhões em 2016 para R$ 12,4 bilhões em 2025.
O tema será destaque junto aos pré-candidatos à Presidência da República durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que ocorre entre segunda e quinta-feira. Os governos estaduais (cresceram 25%), com alta de R$ 114,3 bilhões em 2016 para R$ 143,29 bilhões em 2025
Marcas Globais
O novo ranking Kantar BrandZ das 100 Marcas Globais Mais Valiosas de março revela as três marcas mais valiosas do mundo: Google (US$ 1,5 trilhão), Microsoft (US$ 1,1 trilhão) e Amazon (US$ 1 trilhão), juntando-se à Apple (US$ 1,4 trilhão). O avanço reflete a estratégia consistente da marca em integrar inteligência artificial aos seus principais produtos, ampliar experiências de busca interativa e investir em infraestrutura.
PPP da Cehab
A Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) apresenta nesta sexta-feira (15), 9h45 às 12h30, no Centro Cultural Cais do Sertão, a experiência do Governo de Pernambuco com o programa Morar Bem. Após o debate, o evento realiza a entrega dos troféus do Prêmio Selo de Mérito 2026 no 73º Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social, destacando a importância da atuação dos parceiros públicos e privados.
Semana S 2026 tem debates no Recife. – Divulgação
Gratuidade
Em celebração aos 80 anos e à Semana S, o Senac PE lança o Programa Senac de Gratuidade (PSG) com 802 vagas para cursos de aperfeiçoamento e qualificação profissional. As vagas estão distribuídas entre as unidades do Recife, Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada e Petrolina e são voltadas a pessoas de baixa renda, contemplando áreas como gastronomia, turismo, saúde, beleza e bem-estar, gestão e atendimento ao cliente. As inscrições acontecem até este domingo no site da instituição.

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