Entidades e feirantes alertam para risco de empregos e cobram isonomia tributária após fim da taxação de importados pelo governo federal
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A decisão do Governo Federal de zerar a taxa de importação para compras internacionais de até 50 dólares reacendeu a preocupação no Polo de Confecções do Agreste, em Pernambuco. A medida, que altera regras do comércio eletrônico, é vista por empresários e lideranças políticas como um fator de desequilíbrio na concorrência com produtos estrangeiros de baixo custo.
O setor, um dos principais motores econômicos do estado, concentra milhares de pequenas e médias confecções em cidades como Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, com forte presença de produção familiar.
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Empresários falam em risco para a sobrevivência do setor
Em entrevista a TV Jornal Interior, fabricantes afirmam que a mudança pode comprometer diretamente as vendas e a manutenção dos negócios.
“Essa retirada da taxa vai afetar muito, muito mesmo o nosso polo têxtil. Eu não sei se a gente vai resistir”, relata um empresário do setor.
Segundo ele, o impacto ultrapassa o ambiente das fábricas e atinge toda a estrutura familiar envolvida na produção.
“Se eu tenho alguém que trabalha comigo, atrás dele tem família, tem esposa, filhos. Isso vai afetar muita gente.”
Outro fabricante afirma que já percebeu os efeitos da concorrência internacional no dia a dia do comércio.
“Quando a taxa foi colocada, a gente sentiu que melhorou um pouco, porque diminuiu a entrada de produtos estrangeiros. Agora, com a retirada, a gente prevê queda nas vendas”, diz.
Uma das fábricas ouvidas emprega cerca de 30 colaboradores e já avalia ajustes para manter a competitividade.
“Precisamos nos reinventar, reduzir custos sem perder qualidade”, afirma o empresário.
Entidades defendem equilíbrio tributário
O diretor da Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (ACIC), Paulo César Valeriano, afirma que o setor têxtil é um dos principais empregadores do país e defende maior equilíbrio na tributação.
Segundo ele, o segmento responde por cerca de 1,3 milhão de empregos diretos no Brasil, com forte participação feminina, e é fortemente impactado pela concorrência internacional.
“O setor têxtil é uma das maiores locomotivas de emprego do país. Ele é atingido diretamente, não é uma pequena fatia do mercado”, afirma.
Para ele, o debate não deve opor consumo e produção, mas tratar da assimetria tributária entre produtos nacionais e importados.
“O que precisamos discutir é isonomia tributária. Se o produto estrangeiro entra sem imposto, o produto nacional também deveria ter o mesmo tratamento”, defende.
Santa Cruz do Capibaribe também manifesta preocupação
Em Santa Cruz do Capibaribe, uma das principais cidades do polo, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ralph Lagos, afirmou que a medida federal preocupa gestores e pode enfraquecer a cadeia produtiva local.
Segundo ele, a retirada da taxa reduz a capacidade de competição da indústria regional.
“O governo federal, com essa ação, nos tira uma arma importante e nós ficamos vulneráveis nesse quadro, sem saber quais compensações podem ser feitas”, afirmou.
Ele acrescenta que o poder público local já articula alternativas com o setor produtivo.
“Estamos nos reunindo com o prefeito e toda a equipe do polo de confecções para tentar, de alguma forma, compensar o que foi retirado pelo governo federal. A situação é muito ruim para o polo de confecções, não só de Pernambuco, mas de todo o Brasil.”
Articulação política e reunião com governo estadual
Representantes do setor também devem se reunir com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, no Palácio do Campo das Princesas, no dia 20, junto a entidades empresariais e lideranças políticas.
O objetivo é discutir alternativas e possíveis medidas de compensação ao setor produtivo, diante do aumento da concorrência com produtos importados.

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