Homevirais

Cafés especiais impulsionam turismo em Pernambuco

“Capital Pernambucana do Café” consolida produção e negócios no Agreste. No Sertão, desenvolvimento do modelo segue em franco avanço

Por

JC


Publicado em 10/05/2026 às 6:00

Clique aqui e escute a matéria

A cafeicultura pernambucana atravessa um ciclo de revitalização e crescimento que coloca o Estado em evidência no cenário nacional de grãos especiais. De acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco alcançou a marca de 573 toneladas produzidas em 2024, distribuídas em quase mil hectares de área plantada. O movimento, que ganha tração desde o ano passado, tem como protagonistas os municípios de Taquaritinga do Norte e Triunfo, que apostam na valorização da qualidade e na sustentabilidade para conquistar novos mercados e fortalecer o turismo regional.

A CAPITAL DO CAFÉ

No Agreste, Taquaritinga do Norte consolida seu título de “Capital Pernambucana do Café”. Responsável por 73% da produção estadual, o município se diferencia pelo cultivo de café arábica a 900 metros de altitude, utilizando sistemas agroflorestais que preservam a mata nativa. Essa combinação de clima ameno e manejo sustentável resulta em bebidas com alta complexidade sensorial. Antônio Salles Barbosa de Menezes, proprietário da marca Café Sítio Gameleira, explica que o produto local é reconhecido pela doçura e pela capacidade de transmitir sensações únicas, com notas que remetem a frutas e aromas florais.

Segundo o produtor, a qualidade dos grãos especiais da região já garantiu prêmios e participações em competições internacionais.

A tradição, que remonta a mais de dois séculos, também preserva raridades botânicas. É o caso da produção de Fidel Borges, da marca Café das Dállias, que se dedica à variedade Arábica Typica. Embora apresente uma produtividade menor, o produtor ressalta o orgulho de cultivar uma linhagem rara no mundo, que oferece um sabor diferenciado e exclusivo ao consumidor. Atualmente, o setor na cidade busca a certificação de Indicação Geográfica (IG), selo que promete elevar o valor agregado e chancelar a identidade histórica e cultural do café local.

 



No Sertão do Pajeú, o município de Triunfo resgata sua vocação histórica com foco na agricultura familiar – DIVULGAÇÃO

CAFÉ DO SERTÃO

Enquanto isso, no Sertão do Pajeú, o município de Triunfo resgata sua vocação histórica com foco na agricultura familiar e no protagonismo feminino. Com uma produção de 36 toneladas registrada pelo IBGE em 2024, a cidade une a cafeicultura ao seu já consolidado potencial turístico. O Sebrae/PE, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), lidera um projeto para transformar o café sertanejo em uma experiência completa, que inclui rotas turísticas pelos cafezais, degustações e a criação de um festival dedicado à bebida.

Glicia Fonseca, especialista em Agronegócio do Sebrae/PE, afirma que o objetivo é posicionar Triunfo como uma referência em cafés especiais produzidos de forma sustentável. A estratégia envolve desde consultorias técnicas no manejo agroflorestal até a criação de uma marca coletiva e a busca, assim como em Taquaritinga, pelo selo de Indicação Geográfica. Essas iniciativas visam não apenas aprimorar o produto final, mas diversificar a renda dos produtores e fortalecer a economia regional por meio da união entre campo e mercado de luxo.

O impacto dessas cadeias produtivas no desenvolvimento local é tão significativo que se tornou tema da série “Riquezas de Pernambuco”, produzida pelo Sebrae/PE. A produção audiovisual, disponível no YouTube, destaca como o “saber-fazer” desses agricultores transforma a realidade socioeconômica de seus territórios. Com foco na qualidade em vez da quantidade, Pernambuco reafirma sua posição no mapa dos cafés especiais, provando que a tradição e a inovação podem caminhar juntas para gerar riqueza e orgulho cultural.

Fonte: Clique aqui

COMMENTS

WORDPRESS: 0
DISQUS: