Decisão permite retomada de vendas enquanto agência analisa defesa da empresa; orientação de não utilizar itens com lotes de final 1 permanece ativa
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A suspensão da fabricação e comercialização de produtos da marca Ypê, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está temporariamente interrompida.
A mudança ocorre após a fabricante apresentar um recurso administrativo, que, com base na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 266/2019 da agência, suspende automaticamente os efeitos da punição até um novo posicionamento oficial do órgão regulador.
Apesar da manobra jurídica que permite a permanência dos produtos nas prateleiras, a Anvisa mantém o alerta de risco sanitário. A agência recomenda que os consumidores não utilizem os 23 itens identificados com lotes de final 1, devido à detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa.
Entenda o risco da bactéria detectada
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo de “vida livre”, comumente encontrado em ambientes úmidos, e possui alta resistência a antibióticos. Embora raramente cause doenças em pessoas saudáveis, ela representa um risco grave para indivíduos imunocomprometidos ou em ambiente hospitalar.
De acordo com o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), a bactéria é oportunista:
- Complicações: pode causar infecções urinárias, respiratórias e até pneumonias graves em pacientes com fibrose cística ou enfisema.
- Ambiente hospitalar: é uma das principais causas de infecções em pessoas que utilizam cateteres, sondas ou ventilação mecânica.
- Resistência: por sobreviver bem em ambientes com detergentes e resistir a medicamentos, o tratamento de infecções causadas por essa bactéria é considerado complexo pela comunidade médica.
O recurso e a posição da empresa
A Ypê fundamentou seu recurso no artigo 17 da RDC 266/2019. Segundo a companhia, a medida visa fornecer esclarecimentos técnicos adicionais à Anvisa e detalhar o plano de conformidade adotado para garantir a segurança dos produtos. A empresa alega que o protocolo busca reforçar os compromissos de segurança e qualidade junto ao órgão regulador.
Especialistas em microbiologia acreditam que a contaminação pode ter ocorrido durante o processo produtivo, possivelmente por falhas no controle de reagentes ou da água utilizada, permitindo a multiplicação da bactéria em ambientes úmidos antes do envase.
A Anvisa deve emitir um novo parecer técnico após analisar os documentos enviados pela fabricante, definindo se a interdição será retomada de forma definitiva ou se as explicações técnicas serão consideradas suficientes para encerrar o caso.

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