Laudo também identifica falhas na sinalização, cansaço do motorista e uso irregular de passageiros não registrados na viagem
Um laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou que o excesso de velocidade foi o principal fator responsável pelo grave acidente com um ônibus ocorrido em 17 de outubro de 2025, na BR-423, no município de Saloá, no Agreste de Pernambuco. A tragédia deixou 17 pessoas mortas e outras 21 feridas, em um dos episódios mais marcantes nas rodovias do estado nos últimos anos.
De acordo com a perícia, o veículo trafegava a cerca de 90 km/h em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h. O excesso comprometeu a estabilidade do ônibus no momento em que o motorista fazia uma curva considerada perigosa. Ele perdeu o controle da direção, colidiu contra uma barreira e, em seguida, o veículo tombou.
A análise foi realizada por uma equipe especializada da PRF ao longo de seis meses. Vestígios no asfalto, como marcas de frenagem e deslocamento, foram fundamentais para a reconstrução da dinâmica do acidente.
Além da velocidade incompatível com a via, o laudo também apontou outros fatores que contribuíram para a tragédia. Entre eles, estão a sinalização precária no trecho — com marcas horizontais desgastadas e ausência de placas indicativas antes da curva — e o cansaço do motorista, que dirigia havia mais de quatro horas sem pausa.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o não uso do cinto de segurança por parte dos passageiros. Segundo a PRF, muitos cintos foram encontrados sob os assentos, o que indica que não estavam sendo utilizados. Isso fez com que várias vítimas fossem arremessadas para fora do veículo ou sofressem impactos graves dentro do ônibus durante o tombamento.
Passageiros não registrados
Paralelamente às conclusões técnicas sobre as causas do acidente, investigações também identificaram inconsistências na quantidade de passageiros transportados. O ônibus levava mais pessoas do que o número oficialmente registrado na lista de embarque.
Embora o veículo não estivesse acima da capacidade máxima permitida, a divergência levantou a suspeita de presença de “caronas”, ou seja, passageiros que não constavam formalmente na relação da viagem. O caso passou a ser investigado pelas autoridades, já que a irregularidade pode impactar tanto a responsabilização quanto o controle de vítimas.
O ônibus fazia uma viagem de turismo, com origem na Bahia, e havia passado pelo Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe. No momento do acidente, o grupo retornava.
Repercussão
O caso teve ampla repercussão em Pernambuco e em todo o país, tanto pelo número de vítimas quanto pelas circunstâncias da ocorrência. A divulgação do laudo da PRF representa um avanço na compreensão dos fatores que levaram ao acidente e pode subsidiar eventuais responsabilizações.
As investigações seguem em andamento para apurar outras possíveis irregularidades relacionadas à viagem e às condições do veículo.

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