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No final da semana na qual sofreu sua maior derrota no Congresso, a Petrobras anunciou aumentos de 18% no querosene de aviação (QAV) e 19,2% do gás canalizado vendido às distribuidoras, que vai bater nas residências, no comércio e no veicular comercializado em postos de combustíveis, o presidente Lula usou as redes sociais e a TV aberta para anunciar o Novo Desenrola com o objetivo de permitir a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal por um contrato mais barato.
O comunicado do presidente não tem nada de novo e o reaproveitamento do nome do programa que ele mesmo patrocinou em 2023 mostra que continua avaliando mal o fenômeno da bancarização relâmpago que levou ao brasileiro se endividar sem ser educado sobre risco de crédito digital fácil. E que seus auxiliares, de novo, acreditam que os bancos vão oferecer descontos de 30% a 90% no valor da dívida sobre os débitos.
Endividamento das famílias brasileiras em 2026. – Divulgação
Devedores de bancos
Pode ser que para um grupo de devedores os bancos ofereçam isso. Mas é bom lembrar que, salvo pela oportunidade de continuar (sub)correntista de um banco múltiplo, esse tipo de desconto já é oferecido para os clientes negativados pelos birôs de negociação (Serasa e SPC Brasil) nos feirões limpa-nome.
Isso não quer dizer que não seja bom um cliente endividado no banco onde tem sua conta corrente atender ao convite e ver a oferta. Mas sempre deve ter presente que enquanto o banco não dá o contrato por perdido, ele vai colocar o valor cheio da dívida a ser negociada no seu balanço como provisão para devedores duvidosos.
Parte do FGTS
O pacote do governo prevê que o envidado – se for do setor privado – possa usar até 20% do seu saldo no FGTS se transferir o dinheiro para quitar a dívida integral. Naturalmente, se o banco dá um bom desconto. Ou seja, usando o dinheiro dele.
Pode ser que funcione. E que os resultados sejam melhores que o primeiro Desenrola. Porém, mais uma vez o diagnóstico parte do diagnóstico a partir da visão dos bancos que nesse tipo de projeto podem refazer um contrato ruim virar um ativo bom antes de ele virar prejuízo no balanço após dois anos. E que normalmente é vendido por no máximo 5% do valor de face.
Não vai na origem
O programa não ataca a origem. Não ajuda as pessoas a entender que crédito fácil custa caro, que cartão de crédito só vale para comprar fiado e pagar em até 30 dias e não dá para comprar comida ou assumir prestação no cartão fora do dinheiro que vai receber no final do mês.
O Brasil usou a sua bancarização rápida e fez do smartphone um instrumento de negócios como meio de pagamento através do PIX. Mas ninguém explicou que não dava para misturar o dinheiro da conta com o crédito que as fintechs ofereciam sem dizer que se não pagasse tudo no vencimento, o juro seria de 400% ao ano.
Novo Programa Desenrola Brasil 2026. – Divulgação
Estimulou as fintechs
Na verdade, quando o Banco Central estimulou a criação de fintechs, não educou esse novo correntista dos bancos digitais que o crédito fácil tem pagamento difícil. E foi isso que nos levou a 82,5 milhões de pessoas negativadas no SPC Brasil e Serasa.
E ao fato de que nessa conta ao menos 22,5 milhões de pessoas (27,3%) devem ao cartão. Outros 16,6 milhões (20,2%) devem às financeiras (a maioria dos bancos múltiplos e foco do novo Desenrola).
Nome negativado
No fundo, esse novo cliente também nunca se preocupou com o fato de ter seu nome negativado porque pode continuar comprando à vista usando o PIX ou o nome de terceiros. E de não se interessar pelas ofertas de renegociação e por honrar o acordo pagando as prestações quando a coisa aperta.
O programa do governo é mais do mesmo. Provavelmente os grandes bancos consigam (mais uma vez) limpar seus balanços. Mas vão repetir o modelo que não vem resolvendo o problema. É bom para os bancos, mas não para o cliente endividado que ainda vai usar parte de seu FGTS.
Usar melhor
No fundo talvez fosse melhor usar o dinheiro do Fundo Garantidor de Operações para comprar os milhões de contratos de devedores de até R$1 mil (quase 15 milhões devem entre R$50 e R$100) e devolvê-los ao mercado.
Naturalmente, com mais cuidado na oferta de crédito via cartão de loja (Private Label Card) onde hoje o cliente que entra numa loja de roupas e sapatos dificilmente não sai com um cartão de crédito de R$1 mil aprovado na hora e que ele pode gastar onde quiser.
Endividamento
Esse cenário, portanto, exige uma análise mais séria sobre como o Brasil pode criar condições de reduzir o endividamento e as causas de como o brasileiro chegou a comprometer 29,7%, segundo o último relatório de Estatísticas de Crédito do Banco Central que afirmou que o endividamento das famílias subiu para 49,9%.
Não dá para tentar resolver isso com o viés da eleição de outubro e muito menos a partir de uma solução que só é boa para os bancos. Até porque se o devedor não honrar o contrato de renegociação, o saldo volta para a lista de devedores.
Marketplace do Magalu terá novos parceiros no seu ecossistema. – Divulgação
Magalu vai turbinar seu Marketplace
O Magalu está anunciando a entrada de grandes marcas em suas plataformas digitais. Terá mais itens em diversas categorias — decoração e utilidades domésticas, moda, beleza e automotivo —, com o objetivo de diversificar a origem e o mix do que tem na sua prateleira digital.
Nomes nacionais como a varejista de artigos para casa Westwing e internacionais como a francesa Lacoste reforçam a estratégia de brand place – ou seja, ampliar a escala da plataforma com foco na qualidade dos produtos e dos serviços.
Produtos da casa Westwing no Magalu. – Divulgação
Marcas fortes
Também chegaram no Magalu a Tramontina, Woly Casa (com as marcas Wolff e Lyor), Wap e Arthi. Também chegaram Alô Bebê e Kizumba e a Ikesaki, uma das mais tradicionais lojas de cosméticos do país.
O marketplace do Magalu oferece infraestrutura de tecnologia para as operações financeiras e logísticas, o que reduz as barreiras operacionais e permite que marcas atuem de forma estruturada e escalável.
Mas ainda não está claro se vai seguir o caminho do Mercado Livre que criou uma base na China para vender para o Brasil e nivelar a concorrência.
Dia das Mães
Uma pesquisa realizada pela UNIFAFIRE Inteligência de Mercado, com 814 moradores da RMR entre os dias 10 e 26 de março, revela que a intenção de compra para o Dia das Mães 2026 registrou queda de 6,73 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Segundo o levantamento, 68,84% afirmam que pretendem comprar presentes, ante 75,57% em 2025. Já 28,41% declararam que não irão presentear. O Ticket médio concentra-se entre R$ 50 e R$ 200, mas apenas 20,63% pretendem gastar acima de R$ 200.
A Petrobras registrou FUT (Fator de utilização total) de 97,4% do parque de refino. – Divulgação
Carga Total
A Petrobras registrou FUT (Fator de utilização total) de 97,4% do parque de refino de maior utilização desde dezembro de 2014. A Petrobras registrou recorde de produção de diesel S10 em março, chegando a 512 Mbpd. A participação do óleo do pré-sal na carga processada foi de 69%, refletindo a maximização da produção de derivados de maior valor agregado.
Super fintech
O Santander anunciou que está liderando um novo financiamento de aproximadamente £550 (R$ 3,8 bilhões) para a Ebury, sua plataforma global de fintech focada em pagamentos internacionais e soluções para comércio exterior.
As rodadas serão realizadas por um grupo composto pela Centerbridge Partners, além dos atuais acionistas Santander, Vitruvian Partners e 83North, que estão reinvestindo.
Aporte robusto
O Banco Santander investirá £50 milhões (R$ 380 milhões) e continuará como acionista majoritário da Ebury, com participação de 55%. A Ebury opera em 30 mercados regulados e atende mais de 27.000 empresas em todo o mundo, possibilitando pagamentos em mais de 140 moedas em 160 países.
Sua plataforma baseada em tecnologia permite que os clientes realizem e recebam pagamentos internacionais, gerenciem riscos cambiais, movimentem fundos entre subsidiárias em tempo real e se integrem aos seus sistemas financeiros.
Congresso da Amupe contrato da Compesa. – Divulgação
Marco Legal
O Governo de Pernambuco comemora a assinatura do contrato de concessão da Compesa já estruturada com base no novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que estabelece metas de universalização até 2033, com 99% de atendimento em água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto.
Com previsão de R$ 25,4 bilhões em investimentos ao longo dos próximos 30 anos, a concessão contempla a maior parte dos municípios pernambucanos, além do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, e tem como objetivo ampliar os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em todo o território.
Efeito das bets
Um novo estudo feito pela FIA Business School é referência entre as escolas globais de negócios do Brasil e da América Latina intitulado “O Ralo Digital”, mostra como a combinação de juros elevados com a expansão das plataformas de apostas vem drenando liquidez do país em ritmo acelerado, potencializado pela instantaneidade do Pix.
Entre as principais conclusões destacam-se: Destruição ativa de patrimônio com as famílias utilizando reservas financeiras, com saques em poupança e depósitos a prazo; Desespero com uso da facilidade do Pix viabiliza transferências imediatas, seja para apostas ou para cobrir dívidas pressionadas pelos juros elevados.
Também detectou evasão de capital com os recursos destinados às plataformas de apostas não retornando à economia produtiva e retração do consumo impactando no faturamento das companhias, que passam a enfrentar pressão adicional em um cenário de crédito mais caro.
Efeito bets no Brasil no endividamento das famílias. – Divulgação
Choque estrutural
O estudo foi elaborado com base em 179 observações mensais, a partir de modelos econométricos aplicados a dados do Banco Central do Brasil, e identificou o início desse choque estrutural em janeiro de 2022.
E para o presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni, o fenômeno vai além de uma mudança pontual de comportamento financeiro. Estamos diante de uma evasão estrutural permanente que asfixia o caixa do tecido empresarial e destrói o futuro financeiro das famílias brasileiras.”

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