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No meio do debates sobre a expectativa de início da introdução da Reforma Tributária e do debate atravessado que o governo Lula colocou no período eleitoral, o ex-presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) de 2019 a 2022, Marcelo Silva um executivo cuja carreira se confunde com a evolução do varejo brasileiro depois de sua passagem pelos grupos, Bompreço, Casas Pernambucanas e Magazine Luiza apresentou nesta terça-feira (28) um estudo sobre o impacto dos juros na evolução da chamada Demonstração de Valor Adicionado de 26 empresas varejistas de capital abertas entre 2021 a 2025
Organizado nos setores de varejo alimentar, móveis e eletro, vestuário, farmacêutico e outros, o estudo de Silva revela um assustador quatro de transferência de recursos para o setor público e para os juros, uma espécie de sócios inconvenientes que passam no caixa da empresa para receber sua parte, beneficiando-se de todo o investimento em melhoria de gestão das companhias, sem contribuir para sua performance.
Ambiente pós-Covid
Marcelo Silva adverte que qualquer análise do varejo brasileiro entre 2021 e 2025 precisa começar pelo ambiente macroeconômico. Porque ele é, em larga medida, o protagonista da história e do período de recuperação pós-pandemia com a inflação em alta, consumo reprimido se liberando e uma taxa Selic ainda em 2% ao ano, quando a janela se fechou com velocidade brutal, em 2022, quando o Banco Central elevou a Selic a 13,75% ao ano.
O economista trabalhou com os dados de receitas consolidadas das 26 empresas que cresceram de R$ 413,4 bilhões em 2021 para R$ 545,2 bilhões em 2025 – expansão nominal de 31,9% em 5 anos. O Valor Adicionado Total a Distribuir cresceu de R$ 96,7 bilhões para R$ 127,5 bilhões, alta de 31,8%. E esse número é bem expressivo e revela uma extraordinária capacidade de recuperação das empresas.
João Alberto recebe em seu programa o conselheiro de empresas, Marcelo Silva. – JAILTON JR./JC IMAGEM
Salários maiores
Ele revela que em relação à remuneração de pessoal que cresceu de R$ 37,0 bilhões em 2021 para R$ 44,2 bilhões em 2025 verificou-se uma alta nominal de 19,5% em 5 anos, bem abaixo da inflação acumulada do período. Mas se os trabalhadores do varejo ganharam mais em valores absolutos, receberam uma fatia menor da riqueza que ajudaram a criar em função da inflação. E porque o varejo pagou mais em salário fixo e menos em remuneração variável, reflexo da compressão de margens.
Segundo o estudo, devido à rigidez estrutural do sistema tributário brasileiro, o governo foi o único ator que aumentou consistentemente sua participação no valor produzido pelo varejo ao longo de todo o período, independentemente do ciclo econômico. Talvez porque a composição interna dos tributos revele uma distorção histórica do modelo tributário brasileiro.
Mais impostos
É a partir desse ponto que Marcelo Silva começa a analisar a questão da cobrança de impostos em que o Estado foi o sócio que mais se beneficiou. Segundo seu estudo, a linha de impostos, taxas e contribuições cresceu de R$ 29,9 bilhões em 2021 para R$ 45,3 bilhões em 2025 – alta de 51,4%.
O caso do ICMS estadual é emblemático. Em 2025 ele cresceu de R$ 18,1 bilhões para R$ 31,0 bilhões – alta de 71% – e representa 24,3% de todo o valor adicionado do consolidado do ano pelas empresas. O ICMS foi o tributo que mais cresceu, o que mais pesa e mais distorce a competição entre formatos de varejo com diferentes estruturas de cadeia de suprimentos, conclui Marcelo Silva.
Alta dos Juros Pressiona o Resultado do Varejo – ARTES
Tributos federais
Entretanto, os tributos federais não fizeram por menos. Os tributos federais apresentaram volatilidade expressiva ao longo do período – de R$ 7,7 bilhões em 2021 para R$ 12,9 bilhões, ano passado, já incorporando o impacto de novos regimes e o encerramento de benefícios temporários.
Para Marcelo Silva, nenhuma linha de Demonstração de Valor Adicionado narra a história do período 2021-2025 com mais clareza do que a remuneração de capitais de terceiros. Em 2021, o varejo pagou R$ 10,3 bilhões em juros. Um ano depois, com a Selic já disparada, R$ 19,2 bilhões – crescimento de 87% em um único exercício. E em 2025, com a retomada do aperto, pagou R$ 27,0 bilhões. No período analisado, o crescimento acumulado de 2021 a 2025 foi de 163% na linha de juros, contra 31,9% de crescimento das receitas das companhias.
Capital próprio
Ele conclui seu estudo apontando para três tendências estruturais que devem moldar o varejo brasileiro nos próximos anos: A 1ª é a consolidação acelerada. Com capital próprio comprimido e custo de capital elevado, empresas com balanços fragilizados perderam gradualmente capacidade competitiva frente a operadores mais eficientes.
A 2ª estará na diferenciação permanente por modelo de capital. O período analisado revela com nitidez que setores e empresas que cresceram sem dependência de alavancagem financeira atravessaram o ciclo sem destruir valor para o acionista. Modelos baseados em geração orgânica de caixa que não dependem de crédito barato ao consumidor.
Reforma vem aí
Finalmente, as empresas devem se preparar para o impacto da reforma tributária. A implementação do IBS e do CBS a partir de 2026 representa a maior transformação do ambiente tributário do varejo em décadas. O ICMS estadual – hoje o componente mais pesado da carga tributária do setor, representando 24,3% do VAT consolidado– será gradualmente substituído.
Mas Marcelo Silva, ele não tem ilusões. Enquanto a Selic permanecer acima de 10% por períodos prolongados e a carga tributária sobre o consumo continuar entre as mais elevadas do mundo, diz, o varejo brasileiro seguirá sendo um setor no qual produzir receita não é suficiente. O que obriga a criar receita com disciplina de capital, eficiência tributária e modelo de negócio que não dependa das condições monetárias excepcionais que prevaleceram de 2017 a 2021.
Mercado de Cannabis no Brasil. – Divulgação
Mercado de Cannabis cresce no Brasil
Um levantamento da consultoria Kaya Minds, revela que o mercado de Cannabis medicinal segue em expansão no Brasil e movimentou R$970 milhões em 2025, com crescimento de 14% em relação à 2024, projetando R$1,1 bilhão em 2026. O segmento que mais cresce é o varejo farmacêutico. As vendas nas farmácias e no canal hospitalar cresceram em média 55,4% nos últimos 4 anos, representando R$ 433,3 milhões (relatório de out/2025).
PIB do NE
A Sudene iniciou articulação com governos estaduais para criar uma metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste. A proposta busca uniformizar critérios e ampliar a inclusão de setores relevantes para a economia regional. A proposta pretende ampliar a capacidade de leitura sobre as transformações econômicas na Região.
Industria pessimista
Os resultados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (29), registraram o maior número de setores industriais pessimistas desde junho de 2020. Em fevereiro, 21 segmentos já se encontravam em situação de falta de confiança; em março, esse número aumentou para 23 e continuou a crescer, alcançando 28 segmentos em abril.
Presidente da CNI, Ricardo Alban. – Divulgação
Pressão da CNI
O presidente da CNI, Ricardo Alban, foi nesta terça-feira (28) ao gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Expôs as preocupações do setor com os impactos da proposta que reduz a jornada de trabalho e altera a escala 6×1. Motta não se comprometeu com nada.
Microfranquias
O franchising brasileiro fechou 2025 com R$ 301,7 bilhões, alta de 10,5% sobre 2024, e terminou o ano com 202.444 operações e 1,762 milhão de empregos diretos, segundo o balanço oficial da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Para 2026, a entidade projeta novo avanço entre 8% e 10%. Detalhe: as microfranquias já respondem por 51% das operações, à frente de lojas (45%) e quiosques (4%).
ExpoQualindoor
Pernambuco sediará, nos dias 6 e 7 de maio de 2026, o 15º Seminário Internacional de Qualidade do Ar Interior e a X ExpoQualindoor no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e são promovidos pelo Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interno da (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento), em parceria com o Chapter Brasil da ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers), ASBRAV, e IFPE. Trata-se de uma conversa relacionada à gestão da qualidade do ar em ambientes fechados.
Caxangá Golf &Country Club – Divulgação
Exclusividade
Referência no tiro esportivo nacional, o Caxangá Golf & Country Club comemora um feito inédito, o de ser o único clube filiado ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) a adquirir cartuchos para os praticantes de tiro esportivo no Nordeste com a Companhia Brasileira de Cartuchos.
REC 100
Com o tema “Unindo tecnologia à tradição”, o Recife Expo Center promove, no próximo dia 12 de maio, a segunda edição do REC 100, evento voltado para o mercado de eventos, que reúne fornecedores, empresários, entidades, cerimonialistas e formadores de opinião em uma experiência imersiva e estratégica. O REC 100 retorna com novo propósito: apresentar tendências, formatos inovadores e possibilidades para o setor, reforçando o protagonismo do Recife no cenário nacional de eventos.
Mães do Plaza
A partir desta sexta-feira (1ª) e até o dia 11 de maio, o Plaza Shopping promove o Mês das Mães como a exposição especial “Mãe, Amor que Floresce” no piso L4. Este ano, a ação convidou alunos da Baby Mel, Casa Forte, Centro Escolar Carochinha, Despertar e Eximius.
Mexx na Bett Brasil
A startup pernambucana Mexx, especializada em soluções de comunicação omnichannel e automação de atendimento, participa da Bett Brasil 2026, que acontece de 5 a 8 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.
O evento reúne mais de 330 empresas e profissionais do setor, promovendo conexões, inovação e novos negócios no ecossistema educacional. A Mexx integra um estande colaborativo com apoio do Porto Digital, Aponti e do Governo de Pernambuco.
Crescimento do mercado de logística no Brasil. – Divulgação
Work de Logística
Promovido pelo Grupo Painel Logístico, o Recife será palco no próximo dia 18 de maio de um dos principais encontros do setor logístico no país, no 45º Workshop de Logística – Soluções e Tendências – Especial Nordeste. Destaque ainda para um showroom de soluções, painel de debates e o maior feirão de empilhadeiras e acessórios do Nordeste.
Gestão ambiental
Liderada por Mauro Buarque, a Método Ambiental lança o serviço de Assessoramento Ambiental Preventivo que foca em compliance e segurança técnico-jurídica para o setor produtivo, integrando a agenda ESG à operação real das empresas. A meta é unir tecnologia e a expertise da Método para monitorar operações, antecipar conflitos normativos e evitar autos de infração.
Governo na RMR
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) realiza nesta quinta-feira (30) a 4ª Feira Periferia Empreendedora, a ação que reúne 19 mulheres de territórios periféricos da Região Metropolitana do Recife com atuação em gastronomia, moda, artesanato e economia criativa. Será na Rua Vinte e Quatro de Agosto, 209, em Santo Amaro, na capital. A feira é 100% composta por mulheres empreendedoras periféricas, reforçando o compromisso do Governo do Estado com a equidade de gênero e o protagonismo feminino.

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