O primeiro grande levantamento após a definição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato da direita em 2026 acendeu um alerta profundo no campo conservador. A nova pesquisa Datafolha revela que o senador, anunciado pelo pai como herdeiro político para o pleito do próximo ano, entraria na disputa com forte desvantagem e alta rejeição nacional.
Em um eventual segundo turno, Lula (PT) venceria Flávio por 51% a 36%, abrindo uma diferença de 15 pontos percentuais. O distanciamento é maior que o registrado na aferição anterior, quando o petista liderava por 48% a 37%. O sobrenome Bolsonaro, segundo analistas, permanece como fator negativo entre indecisos e eleitores moderados.
Tarcísio e Ratinho Jr. têm desempenho mais competitivo
O Datafolha testou outros nomes da direita e identificou cenários menos desfavoráveis ao campo conservador. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) perderia por 5 pontos para Lula, enquanto Ratinho Jr. (PSD-PR) ficaria atrás por 6.
Ambos aparecem com menor rejeição e melhor desempenho que Flávio, que já inicia a corrida carregando índices elevados de resistência eleitoral.
Bolsonaro cai, mas ainda é testado
Mesmo preso e inelegível, Jair Bolsonaro ainda foi incluído no cenário de segundo turno, repetindo metodologia já usada pelo instituto quando Lula estava detido em 2018. Sua desvantagem para o petista aumentou de 47% a 43% para 49% a 40%, movimento atribuído ao impacto de sua condenação.
As chances de participação do ex-presidente, porém, são consideradas nulas.
Primeiro turno mantém Lula isolado na liderança
No cenário mais provável, o da disputa pulverizada, Lula aparece com 41% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registra apenas 18%, ficando atrás de Ratinho Jr. (12%). Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) marca 7%, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) tem 6%.
Quando substituído por Eduardo Bolsonaro, os números permanecem idênticos. Já Michelle Bolsonaro eleva o desempenho da família: Lula aparece com 41% e ela com 24%, desempenho superior ao dos filhos do ex-presidente.
Com Tarcísio como candidato, Lula permanece com 41%, enquanto o governador paulista alcança 23%. Ratinho Jr. chega a 11% e Caiado a 6%.
Sobrenome Bolsonaro pesa negativamente
A pesquisa também revela um dado que tem preocupado o PL: os índices de rejeição. Jair Bolsonaro e Lula lideram o ranking, com 45% e 44%, respectivamente. Entretanto, a rejeição de Flávio chega a 38%, Eduardo tem 37% e Michelle registra 35%, números considerados altos para nomes que nunca disputaram o Planalto.
Enquanto isso, governadores de direita têm taxas bem menores: Zema (21%), Ratinho Jr. (21%), Tarcísio (20%) e Caiado (18%).
Escolha de Flávio gera dúvidas internas
O anúncio da candidatura do senador foi recebido com desconforto por setores do centrão, MDB e PSD, além de parte do próprio PL, que avalia que a aposta no sobrenome Bolsonaro pode isolar o partido. A decisão também foi interpretada como tentativa do ex-presidente de manter controle político mesmo impossibilitado de concorrer.
O levantamento, feito entre os dias 2 e 4 de janeiro, antes da confirmação de Flávio, reforça a fragilidade eleitoral da escolha. Para o Planalto, porém, o Datafolha também traz alertas: Lula mantém liderança, mas sua rejeição elevada e a estabilidade de sua aprovação mostram que o caminho até 2026 está longe de ser confortável.
Por ora, o cenário mais evidente é o de um favoritismo do presidente, um campo conservador fragmentado e um sobrenome Bolsonaro que, ao invés de agregar, continua produzindo turbulência.
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