A nova pesquisa Datafolha confirmou o que já se desenhava nos bastidores de Brasília, Lula (PT) segue perdendo fôlego. A recuperação tímida registrada em levantamentos anteriores perdeu força e agora estaciona em 32% de aprovação, enquanto a reprovação permanece elevada, em 37%. O grupo que considera o governo regular marca 30%, consolidando um cenário de estagnação e desgaste crescente.
Na rodada anterior, o Planalto comemorava uma leve alta na aprovação, que havia subido para 33%. Mas o alívio durou pouco. Os números atuais mostram que, apesar da margem de erro, o movimento de retomada parou e a rejeição segue um passo à frente, reforçando a tendência que vem se repetindo mês após mês, com Lula acumulando desgaste político e queda de popularidade.
Polarização, crises e tropeços internos
No começo de setembro, o governo ainda surfava em um momento de hiperpolarização que impulsionou o petista. Era o auge das tensões envolvendo Jair Bolsonaro (PL), então em prisão domiciliar, e do embate internacional com Donald Trump, que havia mirado produtos brasileiros com sobretaxas.
A exposição acentuada do ex-presidente ajudou Lula momentaneamente, mas o efeito arrefeceu. Com o passar das semanas, o presidente viu o cenário se deteriorar, enquanto Bolsonaro, após violar a tornozeleira eletrônica e ser preso em definitivo, voltou a dominar o noticiário com a disputa interna da direita sobre quem herdará sua candidatura.
Paralelamente, Lula acumulou derrotas no Senado, especialmente depois de indicar Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, irritando a cúpula da Casa e abrindo uma crise que fragilizou ainda mais seu governo.
Medidas econômicas não surtiram efeito
Nem mesmo o anúncio da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil rendeu resultados significativos. Embora Lula tenha ido à TV celebrar a medida, a pesquisa mostra apenas uma oscilação dentro da margem de erro na faixa beneficiada.
A aprovação pessoal do presidente também não reagiu. Permaneceu em 49%, contra 48% no levantamento anterior, enquanto a desaprovação ficou igualmente estável, com 48%.
Sinais de alerta para 2026
A rejeição a Lula cresce nos grupos historicamente mais refratários ao PT, como eleitores com ensino superior, pessoas que ganham entre cinco e dez salários mínimos, evangélicos e moradores do Sul. Já a aprovação é mais alta entre nordestinos, católicos, idosos e pessoas com menor instrução.
Ainda assim, o quadro é preocupante para o Planalto. Os índices atuais são muito inferiores aos dos dois primeiros mandatos de Lula, quando sua aprovação chegava a 72%. Apesar disso, supera o desempenho de Bolsonaro no mesmo período do seu governo, quando o então presidente enfrentava pandemia, crise militar e forte rejeição.
O cenário reforça que, a cada novo levantamento, Lula perde um pouco mais de terreno, com a reprovação subindo ou se mantendo acima da aprovação, e sem sinais concretos de que esse movimento possa mudar no curto prazo. A leitura em Brasília é clara, o presidente entra em 2026 com um cenário mais instável do que o imaginado pelo próprio Planalto.
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