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Diário de Pernambuco completa 200 anos e desafia a era da inteligência artificial

O Diário de Pernambuco, fundado em 1825, chega aos 200 anos nesta sexta-feira (7) como o jornal mais antigo em circulação da América Latina, um sobrevivente que atravessou reinos, impérios, ditaduras e revoluções digitais — e que agora enfrenta o desafio de existir em um mundo dominado pela inteligência artificial e pelos algoritmos das big techs.

Instalado hoje em um galpão reformado no bairro de Santo Amaro, no Recife, o Diário mantém a essência de quem aprendeu a sobreviver ao tempo. A redação, simples e iluminada por luz artificial, exibe paredes descascadas e uma antiga prensa deixada de canto — como lembrança viva de um passado glorioso. “Matéria boa é a que você tem e o outro não. O que todo mundo tem, a IA entrega em segundos. O que só você viu, ela nunca vai ter”, resume o editor-chefe Ricardo Novelino, símbolo de uma geração que insiste em fazer jornalismo à moda antiga, com “tesão e faro de repórter”.

De anúncios de escravos à revolução digital

Criado por Antonino José de Miranda Falcão, o primeiro número do Diário saiu quando o Brasil ainda engatinhava como Império. O jornal começou como uma pequena folha de anúncios — inclusive de venda e fuga de escravos — impressa na antiga Rua da Praia, no Recife. Desde então, testemunhou a Confederação do Equador, os empastelamentos da República Velha, a censura da Era Vargas e a ocupação militar durante o AI-5.

O icônico prédio na Praça da Independência, apelidada de “Pracinha do Diário”, tornou-se um marco da liberdade de imprensa e um ponto de encontro da história política nordestina.

Ao longo de dois séculos, o jornal passou por várias mãos — de Assis Chateaubriand, que o incorporou aos Diários Associados em 1931, ao grupo Sistema Opinião de Comunicação, até ser adquirido em 2019 pelo empresário Carlos Frederico Vital, que apostou em sua revitalização digital.

“Jornalismo raiz” contra a era dos robôs

O Diário mantém uma redação jovem, com cerca de 30 jornalistas, e aposta em reportagens exclusivas e humanas para se destacar em meio aos resumos automáticos de IA e às flutuações dos algoritmos do Google.

Histórias como a da recifense Tânia Ribeiro, que apostou uma cerveja com o então presidente Lula em 2003 sobre o fim das palafitas de Brasília Teimosa, tornaram-se símbolo desse jornalismo vivo. Vinte anos depois, a promessa foi cumprida — e a reportagem acabou repostada por Lula em suas redes sociais, levando o Diário novamente aos holofotes nacionais.

“Sem sorte, o jornalista não chupa nem picolé”, brinca Novelino, citando o que considera o segredo da sobrevivência do jornal: trabalho árduo, sorte e coragem para continuar contando boas histórias.

A batalha pela atenção

Mesmo em meio à crise global da mídia, o Diário tem conseguido crescer. Em 2024, o site registrou 5 milhões de visualizações mensais, e em outubro de 2025 ultrapassou os 8,7 milhões de acessos. No Instagram, as publicações somaram 317 milhões de visualizações apenas em setembro.

Para o superintendente Diogo Vital, o caminho é apostar na força local: “Fortalecer as histórias do Recife e do interior é a melhor forma de resistir. O papel é caro, mas é simbólico — e quero que o jornal continue chegando à mão do leitor.”

Enquanto muitos sucumbem à automação, o Diário de Pernambuco se reinventa com o mesmo espírito que o fez nascer: o de registrar o que importa, mesmo quando poucos olham.

Do Império à Inteligência Artificial, o velho Diário segue de pé — lembrando que, na história do Brasil, o jornalismo verdadeiro ainda é feito por gente de carne e osso.

Fonte: Clique aqui

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Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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